Vice-presidente dos EUA evita declarar apoio à reeleição de Netanyahu e diz estar focado nas 'midterms'
J.D Vance afirma estar concentrado nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos; declaração acontece um dia após Donald Trump declarar apoio a Benjamin Netanyahu, que busca reeleição em 27 de outubro

J.D Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, evitou dar apoio à reeleição do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A declaração, feita na segunda-feira (19), aconteceu um dia após o presidente Donald Trump manifestar apoio ao israelense, que enfrenta forte rejeição e dificuldades políticas. Durante a fala, Vance disse que declara apoio "a candidatos americanos" — fazendo referência as "midterms", eleições gerais de meio de mandato nos EUA.
"Declaro apoio a candidatos americanos, e é nisso que estou concentrado nas eleições de meio de mandato. Portanto, não vou me envolver nas eleições israelenses", afirmou o vice-presidente durante uma viagem para fazer campanha pelo candidato republicano ao Senado Michael Whatley, da Carolina do Norte.
Vance já declarou apoio e fez campanha para um líder estrangeiro, no ano passado, ao então primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, antes do partido do líder de extrema-direita perder as eleições parlamentares do país.
Eleições gerais em Isarel
Israel realizará eleições gerais, previstas para o dia 27 de outubro. O pleito foi anunciado pelo Parlamento, no dia 12 de julho. A votação é considerada um referendo sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o papel dele desde o início da guerra em Gaza.
As eleições determinarão se Netanyahu, que responde a um processo por corrupção, permanecerá no poder em um país que vive há quase três anos em estado de guerra e de grave crise social.
O primeiro-ministro, de 76 anos e integrante do partido de direita Likud, já é o que permaneceu mais tempo no cargo, em vários períodos não consecutivos.
Pesquisas indicam que a maioria dos israelenses gostaria que Netanyahu deixe o poder, e o ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot aparece como o principal adversário.
Essas são as primeiras eleições em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e, para muitos, representam um referendo sobre Netanyahu. As falhas de segurança que permitiram que combatentes do Hamas entrassem em território israelense pesam sobre a popularidade do chefe de Governo.
Inclusive, reportagens publicadas pelo jornal israelense Haaretz e, posteriormente, pelo New York Times, denunciaram que Netanyahu, teria sido alertado pelo emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, de que o Hamas planejava uma ação terrorista dias antes do atentado considerado o mais letal em Isarel.
O que são as 'midterms' nos EUA?
As midterms (ou eleições de meio de mandato) são as eleições gerais que acontecem nos Estados Unidos a cada quatro anos, exatamente no intervalo de dois anos após a eleição presidencial. Elas ocorrem sempre na terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro.
Nessas eleições, o eleitorado renova grande parte do poder legislativo e decide cargos locais:
- Câmara dos Representantes: todos os 435 assentos são renovados, já que os deputados têm mandatos de dois anos.
- Senado: cerca de um terço das 100 cadeiras (33 ou 34 assentos, com mandatos de seis anos) é disputado a cada ciclo.
- Governos estaduais: a maioria dos estados (cerca de 36) elege ou reelege seus governadores.
- Cargos locais: assembleias estaduais, prefeituras e diversas propostas de emenda ou leis locais também vão às urnas.
O resultado define se o presidente em exercício manterá a maioria no Legislativo para aprovar suas propostas ou se enfrentará um Congresso dividido (ou de oposição), o que pode paralisar a agenda do governo.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



