Netanyahu teria sido alertado sobre o ataque do Hamas antes de 7 de outubro, diz jornal de Israel
Aviso, que teria sido feito pelo emir dos Emirados Árabes Unidos, nunca chegou aos chefes de segurança israelenses; denúncia foi publicada por veículos como Haaretz, New York Times e The Times

O primeiro-minsitro de Israel, Benjamin Netanyahu, teria sido alertado pelo emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, de que o Hamas planejava uma ação terrorista dias antes de o atentato de 7 de outubro de 2023. A informação foi publicada pelo jornal israelense Haaretz e, posteriormente, pelo New York Times.
No último domingo (27), Netanyahu viajou secretamente para Abu Dhabi, onde se reuniu com Bin Zayed. O premiê teria implorado ao emir para que ele negasse as informações publicadas pelo Haaretz e pelo New York Times, segundo a reportagem do Times of Israel.
Por outro lado, o Haaretz indica que a viagem teria tido o objetivo de arquitetar novos ataques de Israel ao Irã, às vésperas das eleições gerais, previstas para o dia 27 de outubro.
As reportagens sobre os alertas foram publicadas um mês antes das votações em Israel. As pesquisas indicam uma disputa acirrada, com chance de a coalização opositora conseguir uma vitória.
Neste cenário, Netanyahu — que já governou Israel por mais de 16 anos no total, divididos em três períodos diferentes — e o governo de extrema-direita precisaram deixar o poder.
Como consequência da derrota, a imprensa internacional indica a possibilidade de avanço de investigações sobre o papel de Netanyahu na segurança de Israel no 7 de outubro, além dos escândalos de corrupção.
Suposto alerta sobre ataque do Hamas
Em reportagem publicada na última sexta-feira (25), o New York Times indicou que, no final de setembro de 2023, o emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, havia ligado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para informar que, "com base em informações recebidas, o Hamas planejava lançar um ataque".
O jornal cita que a informação foi confirmada por duas pessoas, sob sigilo. Uma delas afirmou ter conversado com o emir, enquanto a outra indicou ter falado com alguém presente na ligação.
Uma das fontes disse, ainda, que "a informação não especificava se o Hamas planejava disparar foguetes contra Israel ou se preparava uma invasão terrestre, através da fronteira", escreveu o New York Times.
Entretanto, o jornal estadunidense confirmou que, após a ligação, Netanyahu reuniu chefes de segurança em 1º de outubro de 2023, para uma situação na Faixa de Gaza e não mencionou o alerta sobre o ataque.
O Times divulgou ter tido acesso à ata da reunião, indicando que no encontro, o primeiro-ministro de Israel afirmou que o objetivo deveria manter a calma em Gaza.
Na ocasião, ele "resistiu quando algumas autoridades de segurança sugeriram que o país deveria considerar ataques militares contra líderes do Hamas em Gaza que coordenavam atentados contra israelenses na Cisjordânia", segundo o jornal, que ciotu a ata.
Após a publicação do Haaretz, Netanyahu negou, em um comunicado, ter recebido qualquer ligação de alerta de Mohammed e afirmou que, se alguma informação de inteligência tivesse vindo dos Emirados, ela teria sido repassada a Israel pelos canais de inteligência.
No entanto, o New York Times indica que, meses depois, o emir mencionou a ligação de setembro de 2023 com Netanyahu durante uma conversa com o então diretor da CIA, o serviço secreto dos Estados Unidos, William Burns.
7 de outubro de 2023
O alerta, embora vago, provou-se concreto. Dias depois, milhares de combatentes do Hamas e aliados lançaram uma invasão cruzando a fronteira de Gaza em direção ao sul de Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e fazendo outras 250 reféns, no ataque mais letal da história de Israel.
Batizado pelo Hamas de "Operação Dilúvio Al-Aqsa", o ataque ocorreu na manhã do feriado judaico de Shemini Atzeret. A ofensiva inicou com milhares de foguetes sendo disparados contras cidades israelenses para sobrecarregar o sistema de defesa antimísseis "Domo de Ferro".
Em seguida, os invasores se espalharam rapidamente por uma vasta área do sul de Israel, atacando bases militares e mais de 20 comunidades civis, incluindo vilas agrícolas (kibbutzim) como Be'eri e Kfar Aza, e a cidade de Sderot.
Um dos episódios mais graves ocorreu no festival de música eletrônica Supernova, próximo ao Kibbutz Re'im, onde centenas de jovens foram encurralados e executados a tiros.

Netanyahu visita líder dos Emirados em 2026
Depois de a imprensa internacional publicar a denúncia, Netanyahu visitou Mohamed bin Zayed no último domingo (27). A viagem foi confirmada pelos gabinetes dos dois líderes na segunda-feira (28).
A reunião abordou "as relações bilaterais entre os Emirados e Israel e as formas de fortalecê-las e desenvolvê-las", segundo o gabinete de Mohamed.
Enquanto isso, o gabinete de Netanyahu disse que o premiê visitou "a convite" do líder dos Emirados e que as suas discussões "se concentraram no fortalecimento das relações entre os dois países e nos desafios regionais".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



