Portugal volta às urnas no segundo turno, mas resultado pode atrasar por causa das chuvas

António José Seguro e André Ventura disputam segundo turno presidencial no país europeu

Imagem de Lisboa, capital de Portugal

Portugal volta às urnas neste domingo (8) para o segundo turno das eleições presidenciais, mas o resultado oficial só deve ser conhecido depois do dia 15 de fevereiro. Isso porque parte das votações pode ser adiada em municípios afetados pelas fortes chuvas e inundações que atingem o país.

No primeiro turno, realizado em 18 de janeiro, o socialista António José Seguro liderou a disputa com cerca de 31% dos votos. O candidato da extrema direita, André Ventura, ficou em segundo lugar, com pouco mais de 23%. Ao todo, cerca de 11 milhões de eleitores participam do processo.

Em Portugal, o presidente é o chefe de Estado e exerce um papel moderador, com poder para dissolver o Parlamento e nomear o primeiro-ministro. Já o governo é conduzido pelo premiê, responsável pela administração do país.

O avanço da extrema direita é um dos principais pontos de atenção nesta eleição. O professor de Relações Internacionais da PUC em Pouso Alegre, Péricles Lima, acompanhou o primeiro turno em Lisboa e explica o cenário.

“As eleições que ocorrem em Portugal agora na segunda volta, ou segundo turno, serão disputadas entre o candidato do Partido Socialista, António José Seguro, que chegou a esse segundo turno com 31,12%, e o candidato do Chega, da extrema-direita, André Ventura, esse jovem político que chegou ao segundo turno com 23,52%. André Ventura vem crescendo rapidamente, aproveitando essa onda fascista xenofóbica que varre a Europa.”

O professor também destaca o perfil dos candidatos e o peso institucional do cargo de presidente na política portuguesa.

“O presidente da República Portuguesa tem um papel fundamental, porque ele pode dissolver a Assembleia. Nós temos em Portugal um presidencialismo que tem parlamentarista, que tem primeiro-ministro, mas a figura do presidente é uma figura de muito peso. Essas eleições, com certeza, não serão remarcadas, elas vão ocorrer nesse final de semana, na sua segunda volta, em alguns lugares ela vai ser adiada por sete dias.”

A legislação portuguesa prevê o adiamento do pleito apenas em situações extremas, como estado de sítio ou emergência nacional. Por causa das enchentes, a tendência é de adiamentos pontuais em regiões afetadas, com votação transferida para o dia 15. Por isso, o resultado final da eleição só deve ser confirmado após essa data.

Pesquisas de intenção de voto indicam vantagem de António José Seguro na disputa, mas a abstenção, que costuma ser alta e pode aumentar com o mau tempo, é vista como o principal fator de incerteza neste segundo turno.

Leia também

Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.

Ouvindo...