Caso Epstein: protestos criticam imagens de nudez explícita em arquivos

Governo americano, obrigado a publicar os documentos relacionados ao caso, falhou em não censurar a identidade das vítimas

Governo americano é obrigado a publicar documentos relacionados ao Caso Epstein

Cenas que apresentam nudez explícita seguem disponíveis no site que disponibiliza os arquivos relacionados aos crimes sexuais cometidos por Jeffrey Epstein, apesar de autoridades solicitarem a retirada e alertarem sobre problemas no processo de censura.

As imagens têm capacidade de identificar mulheres que estiveram envolvidas no esquema de Epstein. Segundo os advogados das vítimas, a exposição pode causar danos “irreparáveis” a elas.

Os grupos de vítimas se manifestaram pela primeira vez sobre o assunto no fim de semana, o jornal americano New York Times noticiar que quase 40 imagens diferentes haviam sido publicadas como parte dos arquivos de Epstein divulgados na última sexta-feira (30).

Como parte da divulgação obrigatória dos arquivos de Epstein, o governo federal foi incumbido de ocultar tanto as imagens sexualmente explícitas, quanto informações que poderiam ser usadas para identificar as vítimas.

Mas, ao analisar mais de três milhões de páginas carregadas no site do Departamento de Justiça na sexta-feira, o The New York Times encontrou quase 40 imagens não editadas que pareciam fazer parte de uma coleção pessoal de fotos, mostrando tanto corpos nus quanto os rostos das pessoas retratadas.

O NYT notificou o Departamento de Justiça (DoJ) no sábado (31) sobre as imagens de nudez que jornalistas encontraram e sinalizaram mais imagens no domingo. Uma porta-voz do órgão afirmou que o departamento estava “trabalhando ininterruptamente para atender a quaisquer preocupações das vítimas”. “Assim que as devidas correções forem feitas, todos os documentos pertinentes serão disponibilizados novamente online”, completou.

O DoJ retirou milhares de documentos de seu site, sob alegação de que os arquivos haviam sido publicados por “erro técnico ou humano”. O departamento informou que segue analisando novos pedidos e verificando se há outros documentos que exijam ocultação adicional.

Uma das sobreviventes dos crimes cometidos por Epstein, Annie Farmer, disse à BBC que “é difícil se concentrar nas novas informações que vieram à tona devido ao enorme dano que o Departamento de Justiça causou ao expor as sobreviventes dessa maneira”.

Epstein morreu em uma cela de prisão em Nova Iorque em 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Ex-príncipe da Inglaterra aparece em documentos do caso Epstein

O ex-príncipe do Reino Unido e irmão do rei Charles III, Andrew Mountbatten-Windsor, deixou a residência palaciana nessa quarta-feira (4) após revelações prejudiciais vinculadas a Jeffrey Epstein

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O ex-príncipe, de 65 anos, esperava permanecer por mais tempo no Chalé Real, a casa dele em Windsor há décadas, informou o The Sun. Entretanto, ele teria se mudado nessa segunda-feira (2) e sido levado de carro para uma casa de campo em Sandringham, a propriedade do rei em Norfolk, onde ele mora agora.

Charles III retirou os títulos de Andrew em outubro e disse que ele seria transferido depois que surgiram detalhes sobre o relacionamento contínuo com Epstein. O rei também afirmou que se solidariza com as vítimas de abuso.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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