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Ministro do Interior do Paraguai renuncia em meio a processo de impeachment de Santiago Peña

Enrique Riera deixa o cargo e reassume vaga no Senado durante o julgamento político do presidente; crise foi deflagrada pelo colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país

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Na foto, Enrique Riera, que renunciou ao cargo de ministro do Interior do Paraguai
Na foto, Enrique Riera, que renunciou ao cargo de ministro do Interior do Paraguai • Ministério do Interior do Paraguai

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo em meio à crise política e financeira no país que ameaça o mandato do presidente Santiago Peña. Com a saída do governo, Riera volta a ocupar uma cadeira no Senado, que retoma nesta sexta-feira (6) o julgamento do processo de impeachment contra Peña. A informação foi divulgada pela imprensa paraguaia.

De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal ABC Color, que afirmou ter acesso ao decreto que oficializa a mudança, Peña aceitou a renúncia de Riera e nomeou Carlos Humberto Benítez González como ministro do Interior interino — que também exercendo as funções de vice-ministro de Segurança Interna, segundo o documento.

Enrique Riera era senador antes de assumir o Ministério do Interior e agora retorna ao Congresso justamente quando o Senado analisa se Santiago Peña deve ser afastado definitivamente da Presidência. Na quinta-feira (5), Peña apresentou uma carta de renúncia, ao mesmo tempo em que a Câmara dos Deputados tramitavam um processo de impeachment contra ele.

Segundo o ABC Color, a saída de Riera faz parte de uma estratégia a para que ele reassuma imediatamente sua cadeira no Senado e participe do julgamento político de Peña. Assim, Ramón Catalino Retamozo Delgado, que ocupava a cadeira como suplente desde que o então senador passou a integrar o governo, deixa a vaga.

Crise no Paraguai

A crise política e econômica vivenciada no Paraguai foi deflagrada pelo colapso e pela intervenção no Ueno Bank, a maior instituição financeira digital do país. O banco fechou na terça-feira (3), após o Banco Central, na véspera, iniciar um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

No mesmo dia, manifestantes exigiram a devolução do dinheiro retido no banco e o impeachment de Peña e do vice dele, Pedro Alliana. O presidente do Banco Central renunciou ao cargo, enquanto oito diretores do Ueno Bank foram presos.

Santigado Peña foi acionista até março de 2025 do grupo proprietário do Ueno Bank, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 5 bilhões) em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde. Na quinta-feira (5), em um vídeo publicado nas redes sociais, Penã anunciou que renunciará à Presidência do Paraguai. Na ocasião, ele informou que este é um dos momentos mais difíceis da vida dele.

"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou. "Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação", acrescentou. Mais cedo, o ex-presidente Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo de impeachment de Peña.

Com o anúncio da renúncia, o Congresso do Paraguai precisa aceitar a medida. A Câmara rejeitou a carta de renúncia de Peña, levando a decisão ao Senado. A Constituição do Paraguai estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e do vice-presidente.

A aprovação da abertura do processo de impeachment tem como intuito evitar que Peña mantivesse o foro privilegiado. O artigo 189 da Constituição garante um cargo vitalício de senador, sem poder de voto, mas com a garantia de imunidade parlamentar. No entanto, esse cargo é cancelado em caso de impeachment.

No mesmo dia, o Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação contra Peña, para apurar supostas irregularidades relacionas ao Ueno Bank.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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