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Vídeo: ex-candidato à Presidência do Paraguai é expulso de protesto em meio à crise política

Paraguayo Cubas foi carregado e expulso das ruas por manifestantes em meio à crise bancária que levou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña

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Paraguayo Cubas, ex-senador e ex-candidato à Presidência do Paraguai, é arrastado nas ruas por manifestantes
Paraguayo Cubas, ex-senador e ex-candidato à Presidência do Paraguai, é arrastado nas ruas por manifestantes • Reprodução/Redes Sociais

O ex-candidato à Presidência do Paraguai, Paraguayo Cubas, foi hostilizado por manifestantes na noite da última quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira após a quebda do Ueno Bank, a maior instituição financeira digital.

Vídeos nas redes sociais mostram o político sendo carregado e expulso das ruas. Internautas ironizaram a receptação dada a Cubas e o acusaram de oportunismo. "Ele jurava que seria bem recebido ali", escreveu um usuário nas redes sociais. Outro comemorou a expulsão do político, chamando Paraguayo Cubas de vendido.

A hostilidade acontece em um momento de forte insatisfação popular com a crise que atingiu o governo de Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025, e levou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente.

Confira o momento em que Paraguayo Cubas é expulso do protesto:

Cubas tem uma trajetória política marcada por controvérsias. Político de extrema direita e com discurso antissistema, ele ficou conhecido por declarações agressivas e episódios de violência durante sua passagem pelo Senado.

Em 2019, perdeu o mandato após agredir um policial e fazer declarações contra brasileiros que vivem no Paraguai. Em 2023, disputou a Presidência pelo partido Cruzada Nacional e terminou em terceiro lugar. Depois da derrota, contestou o resultado das eleições, alegou fraude sem apresentar provas e incentivou manifestações.

No mês de maio daquele ano, foi preso preventivamente sob acusação de perturbação da tranquilidade pública.

Crise no Paraguai

A crise política e econômica vivenciada no Paraguai foi deflagrada pelo colapso e pela intervenção no Ueno Bank, a maior instituição financeira digital do país. O banco fechou na terça-feira (3), após o Banco Central, na véspera, iniciar um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

No mesmo dia, manifestantes exigiram a devolução do dinheiro retido no banco e o impeachment de Peña e do vice dele, Pedro Alliana. O presidente do Banco Central renunciou ao cargo, enquanto oito diretores do Ueno Bank foram presos.

Santiago Peña foi acionista até março de 2025 do grupo proprietário do Ueno Bank, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 5 bilhões) em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde.

Na quinta-feira (5), em um vídeo publicado nas redes sociais, Penã anunciou que renunciará à Presidência do Paraguai. Na ocasião, ele informou que este é um dos momentos mais difíceis da vida dele.

"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou. "Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação", acrescentou. Mais cedo, o ex-presidente Horacio Cartes e a principal bancada governista na Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo de impeachment de Peña.

Com o anúncio da renúncia, o Congresso do Paraguai precisa aceitar a medida. A Câmara rejeitou a carta de renúncia de Peña, levando a decisão ao Senado. A Constituição do Paraguai estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e do vice-presidente.

A aprovação da abertura do processo de impeachment tem como intuito evitar que Peña mantivesse o foro privilegiado. O artigo 189 da Constituição garante um cargo vitalício de senador, sem poder de voto, mas com a garantia de imunidade parlamentar. No entanto, esse cargo é cancelado em caso de impeachment.

No mesmo dia, o Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação contra Peña, para apurar supostas irregularidades relacionas ao Ueno Bank.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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