Em 'despedida', Peña diz que quis 'evitar mais danos' ao Paraguai ao renunciar
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo na noite desta sexta-feira (6), em meio a um processo de impeachment e acusações de envolvimento em irregularidades ligadas ao Ueno Bank.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou nas redes sociais, na noite desta sexta-feira (6), uma mensagem em tom de despedida e afirmou ter apresentado sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre no mesmo dia em que o Senado do país conduz uma votação sobre o pedido de impeachment contra ele, em meio a acusações de envolvimento em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, que fechou as portas na terça-feira (3).
Em publicação na rede social X, o presidente paraguaio afirmou que a renúncia visa "evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai". Peña acrescentou que não deseja que sua presença seja motivo de "maior divisão ou instabilidade", alegando que sua responsabilidade é "colocar o país acima de seu destino pessoal". Ele também se despediu "sem ignorar a angústia daqueles que hoje aguardam respostas".
O anúncio da renúncia de Peña foi feito enquanto o Senado paraguaio realizava uma votação sobre o pedido de impeachment. A sessão teve início por volta das 10h da manhã desta sexta-feira. A presença do presidente era esperada, mas ele não compareceu, sendo representado por seus advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, que foram ao Congresso após o Senado rejeitar o pedido de prorrogação de 72 horas do processo.
Na quinta-feira (5), a Câmara do Paraguai já havia aprovado o impeachment de Peña por unanimidade. A Casa Legislativa, por sua vez, negou o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo.
O processo acusa Peña de "grave e sistemático mau desempenho de suas funções" e propõe a "retirada da investidura" do governante, que assumiu o poder em agosto de 2023 para um mandato de cinco anos. Os advogados do presidente paraguaio alegam que o processo de impeachment é nulo, uma vez que ele apresentou sua renúncia às vésperas das sessões.
O Ueno Bank, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição. A medida foi tomada ao constatar um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo.
Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. A instituição contava com cerca de três milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.
"Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, três milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou", disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.
Em outra publicação na rede social X, Peña afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. O presidente também promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.
"Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse", afirmou ele.
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