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Impeachment de Santiago Peña é aprovado pelo Senado do Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, teve impeachment aprovado pelo Senado nesta sexta-feira (7); ele é acusado de envolvimento em um escândalo financeiro que causou o fechamento de um banco e impactou cerca de três milhões de cidadãos

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O presidente do Paraguai, Santiago Penã
O presidente do Paraguai, Santiago Penã • AFP

O Senado do Paraguai aprovou o impeachment de Santiago Peña nesta sexta-feira (7), após ele ser acusado de envolvimento em um escândalo financeiro que resultou no fechamento de um banco e afetou cerca de três milhões de pessoas no país.

A decisão do Senado ocorre um dia depois de a Câmara dos Deputados já ter aprovado o impedimento do chefe de Estado, na quinta-feira (6).

Peña deveria comparecer ao Congresso nesta sexta-feira (7) para se defender -- e chegou a dizer nas redes sociais que faria isso --, mas faltou à sessão e foi representado por seus advogados.

Ele também havia anunciado que renunciaria ao cargo, mas os parlamentares precisariam aceitar a medida. Opositores e alguns integrantes do partido do presidente defendiam o impeachment para que ele não tivesse foro privilegiado.

Com o afastamento de Peña, Pedro Alliana, atual vice-presidente do país, deve assumir o governo. A Câmara rejeitou um processo de impeachment contra Alliana na quinta-feira (6).

O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição. A medida foi tomada após a constatação de um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. A instituição financeira contava com cerca de três milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

A oposição acusou o agora ex-presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, três milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

Antes da aprovação do impeachment, Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. Ele fez a declaração pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.

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