Itália fecha fronteiras com a Espanha após chegada de 60 mil marroquinos no país
Decisão terá duração inicial de um mês; ministros de relações exteriores trocam farpas nas redes sociais e primeiro-ministo espanhol pede união de vizinhos europeus

A chegada de cerca de 60 mil migrantes marroquinos ao enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, desencadeou uma crise diplomática sem precedentes na União Europeia e levou a Itália a anunciar o fechamento temporário de suas fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (31) pelo governo italiano e terá duração inicial de um mês.
O fluxo migratório se intensificou na madrugada dessa quinta-feira (30), quando milhares de pessoas atravessaram a fronteira de Ceuta a nado ou escalando as cercas que separam o território espanhol do Marrocos. Segundo o governo local, ao menos 34 pessoas morreram durante as tentativas de entrada.
A cidade autônoma, que tem cerca de 84 mil habitantes, vive uma das maiores crises migratórias de sua história recente. O governo espanhol afirma que aproximadamente 48 mil migrantes já retornaram ao Marrocos, mas a situação continua sob forte tensão.
Itália aponta segurança
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a suspensão temporária do tratado de Schengen com a Espanha é necessária para “proteger a segurança dos cidadãos italianos e defender as fronteiras da Europa”. Em nota confirmada pelo Ministério do Interior italiano, Roma informou que os controles serão aplicados especificamente a cidadãos não europeus que cheguem da Espanha por via aérea ou marítima.
Segundo o governo, a medida não afetará viagens de espanhóis nem de outros cidadãos da União Europeia. A decisão recebeu apoio político de outros países, como Finlândia e Dinamarca, ampliando a pressão sobre Madri.
Confira o que disseo ministro italiano nas redes sociais
La sospensione temporanea di #Schengen con la Spagna è una scelta necessaria per tutelare la sicurezza dei nostri cittadini e difendere le frontiere europee. Una misura prevista dai trattati e resa oggi ineludibile. La crisi dei migranti a #Ceuta ci ricorda che la gestione dei…
— Antonio Tajani (@Antonio_Tajani) July 31, 2026
Espanha reage e fala em “confusão mal-intencionada”
O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, contestou a interpretação italiana e afirmou que “a integridade do espaço Schengen está absolutamente garantida”. Ele destacou que a maioria dos migrantes já deixou Ceuta e lembrou que não é possível viajar de Ceuta ou Melilha para a Espanha continental sem passar por controle policial. “Chega de confusão mal-intencionada”, escreveu Albares nas redes sociais. Veja a resposta espanhola nas redes sociais:
La práctica totalidad de quienes entraron en Ceuta han vuelto ya a Marruecos.
No es posible trasladarse de Ceuta y Melilla a la Peninsula sin identificarse en un control de policía. La integridad del espacio Schengen está absolutamente garantizada. Basta de confusión interesada
— José Manuel Albares (@jmalbares) July 31, 2026
Juristas consultados pela AFP, no entanto, questionaram a legalidade da medida italiana e afirmaram que o marco jurídico atual da União Europeia não prevê uma suspensão desse tipo nas condições anunciadas.
Primeiro-ministro pede união contra crise
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta nesta sexta-feira (31) e classificou o episódio como um “ataque à integridade territorial da Espanha”. Ele atribuiu a crise à atuação de “máfias de traficantes” que estariam explorando migrantes na fronteira. Sánchez também pediu unidade europeia diante da crise. “Não é tempo de dividir, é tempo de seguir construindo uma União Europeia forte e unida”, declarou.
O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou solidariedade à Espanha, e o governo francês anunciou reforço policial na fronteira com o país vizinho.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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