Após atritos públicos, Trump e Netanyahu se encontram para discutir guerra com Irã
Em encontro fechado, presidente dos EUA e primeiro-ministro de Israel tentam afastar rumores de crise entre seus países e discutem Irã, Gaza e expansão dos Acordos de Abraão

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, esteve na Casa Branca, em Washington, nesta terça-feira (28) para sua primeira conversa presencial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o início da guerra envolvendo Irã, Israel e forças americanas. A reunião ocorreu a portas fechadas e durou cerca de uma hora e meia.
Segundo a Casa Branca, as conversas foram “positivas e produtivas”. O encontro teve como foco principal o conflito com o Irã, iniciado após ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro desse ano. Embora haja uma pausa recente nos combates, Washington afirma que pretende dar espaço a novas negociações diplomáticas.
Israel não participou da rodada mais recente de hostilidades entre Estados Unidos e Irã, intensificada no início deste mês depois do colapso do cessar-fogo firmado em abril. Antes de embarcar para Washington, Netanyahu afirmou que o Irã seria o tema central da agenda. “Discutiremos todos os assuntos da agenda, em primeiro lugar o Irã. Naturalmente, nosso objetivo é salvaguardar nossa segurança e também expandir o círculo de paz ao nosso redor”, declarou o premiê israelense.
Relação sob pressão
A visita ocorre em meio a sinais de tensão entre Trump e Netanyahu. Em abril, durante negociações sobre o cessar-fogo com o Irã, o presidente americano criticou publicamente o aliado israelense e, mais tarde, o descreveu como “um cara muito difícil” em entrevista.
Netanyahu tratou os episódios como “divergências táticas” e insistiu que ambos compartilham os mesmos objetivos estratégicos para a guerra. Este foi o oitavo encontro entre os dois líderes desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, e acontece às vésperas de disputas eleitorais importantes: eleições nacionais em Israel e eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.
Para o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, a visita ocorre em um “momento crítico para o Oriente Médio”. Ele acusou o Irã de continuar “a optar pelo terrorismo em vez das negociações” e de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz. O especialista em relações internacionais Yonatan Freeman, da Universidade Hebraica de Jerusalém, afirmou à AFP que o principal objetivo político do encontro é dissipar rumores de um esfriamento entre os dois aliados.
Irã, Líbano e Gaza na mesa
Além do conflito com o Irã, os líderes discutiram a implementação do acordo-quadro patrocinado pelos EUA entre Israel e Líbano, assinado no mês passado. A aplicação prática do entendimento, porém, enfrenta dificuldades no terreno.
A situação em Faixa de Gaza também entrou na pauta. Os esforços internacionais para impulsionar a reconstrução do território palestino seguem travados, enquanto a crise humanitária permanece severa quase três anos após o início da guerra entre Israel e o Hamas. Israel continua realizando ataques frequentes em Gaza contra pessoas que suas Forças Armadas classificam como militantes.
Acordos de Abraão e presença militar
Yonatan Freeman também avalia que Trump está mais concentrado em duas prioridades regionais: o Irã e a ampliação dos Acordos de Abraão, conjunto de acordos de normalização mediado pelos EUA durante o primeiro mandato do republicano. Os pactos levaram Israel a estabelecer relações diplomáticas formais com Emirados Árabes Unidos, Bahrein e posteriormente Marrocos.
Outros analistas, no entanto, acreditam que a reunião também pode ter abordado uma eventual redução da presença militar israelense em frentes como Líbano, Síria e Gaza.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



