Zelensky se reúne com Trump em busca de mais apoio militar dos EUA contra a Rússia
Presidente ucraniano tenta garantir mísseis Patriot e reforçar apoio diplomático dos EUA em meio à escalada dos ataques russos no território

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reuniu-se nesta terça-feira (28) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, em busca de mais apoio militar e diplomático para a guerra contra a Rússia. O encontro ocorreu a portas fechadas na Casa Branca e durou cerca de uma hora.
A reunião acontece em um momento de nova escalada do conflito. Ucrânia e Rússia intensificaram os ataques mútuos nas últimas semanas, enquanto as iniciativas diplomáticas lideradas pelos Estados Unidos para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos, seguem sem avanços concretos.
Segundo um funcionário ucraniano ouvido pela AFP sob condição de anonimato, Zelensky pretende obter novos suprimentos de mísseis antibalísticos e destravar as conversas de paz que estão paralisadas. “Nossa prioridade número um é a defesa antibalística e a cooperação estratégica com os Estados Unidos”, escreveu Zelensky na rede X ao anunciar sua chegada ao país. Confira a publicação:
I have already arrived in the United States. Our schedule includes meetings with President Trump, his team, and those who can support our defense. Our number-one priority is anti-ballistic defense and strategic cooperation with America. Peace needs to be brought closer.
Of… pic.twitter.com/jcsLCFetwk
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) July 28, 2026
Defesa aérea no centro das negociações
O principal objetivo da visita é ampliar a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. Neste mês, Trump ofereceu a Kiev licenças para fabricar os sistemas Patriot e sinalizou maior abertura para fortalecer a cooperação militar com o governo ucraniano. O funcionário ouvido pela AFP afirmou que Washington precisa aprovar rapidamente um pacote de mísseis Patriot. “É crucial que Washington aprove a aquisição de um pacote de mísseis Patriot. Isso é muito importante”, declarou.
A preocupação ucraniana cresceu após o aumento dos bombardeios russos. De acordo com a força aérea da Ucrânia, apenas em julho Moscou lançou 120 mísseis balísticos e antinavios de alta velocidade contra o país, dos quais somente 35 foram interceptados. O número representa uma forte aceleração em relação a anos anteriores: especialistas estimam que a Rússia tenha disparado entre 250 e 320 mísseis balísticos ao longo de todo o ano de 2024.
Autoridades ucranianas afirmam que o último mês foi o mais letal para civis desde abril de 2022, no início da invasão em larga escala. A intensificação dos ataques reforçou a pressão sobre o governo de Kiev para obter mais sistemas de defesa aérea e munições de alta precisão.
A reunião com Trump é vista pelo país como uma oportunidade de consolidar uma recente reaproximação entre os dois líderes. As relações entre Zelensky e o presidente americano foram marcadas por tensões e episódios turbulentos ao longo dos últimos anos, mas a Casa Branca tem adotado um tom mais favorável à Ucrânia nas últimas semanas. Trump chegou a sugerir que ataques ucranianos em território russo poderiam contribuir para acelerar o fim da guerra, sinalização interpretada por analistas como uma mudança em relação a posições anteriores mais cautelosas.
Além da ajuda militar, Zelensky busca reativar o canal diplomático patrocinado pelos Estados Unidos. As negociações para um cessar-fogo permanecem congeladas, e não há previsão de novas rodadas formais de diálogo entre Moscou e Kiev. O encontro entre Zelensky e Trump foi acompanhado de perto por aliados europeus e por Moscou, já que qualquer decisão americana sobre sistemas Patriot ou novos pacotes de assistência militar pode influenciar diretamente o equilíbrio do conflito nos próximos meses.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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