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Por que imigrantes marroquinos estão nadando em mar aberto até a Espanha?

Nova onda migratória em Ceuta reacende tensões entre Espanha e Marrocos e mobiliza forças de segurança; cerca de 8 mil pessoas já tentaram cruzar a fronteira

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Esta imagem capturada de um vídeo da AFP mostra migrantes chegando à costa do enclave espanhol de Ceuta, no norte da África • Lucia Diaz / AFP

Milhares de marroquinos estão se lançando ao mar e nadando até a cidade espanhola de Ceuta, que fica no continente africano. Muitos deles enxergam a Espanha como uma porta de entrada para a Europa, em busca de melhores condições de vida, trabalho e oportunidades. Porém, a atual onda migratória também tem um componente político: a crise ocorre em um momento de tensão diplomática e de pressão crescente sobre a fronteira entre os dois países.

Nos últimos dias, milhares de pessoas chegaram a Ceuta, enclave espanhol localizado no norte da África e cercado pelo território marroquino. Imagens registraram homens, mulheres e jovens atravessando a fronteira a nado, contornando quebra-mares ou forçando passagens próximas à cerca fronteiriça. Autoridades locais estimam que entre 2 mil e 3 mil migrantes tenham entrado no território espanhol.

O que motivou a nova onda migratória?

A atual pressão migratória ocorre em meio a uma combinação de fatores econômicos, sociais e políticos. Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis no norte da África, representam as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano, tornando-se pontos estratégicos para quem tenta chegar ao bloco europeu.

Além das dificuldades econômicas enfrentadas por parte da população marroquina, autoridades espanholas apontam que decisões judiciais recentes e a atuação de redes de tráfico de pessoas podem ter incentivado novas tentativas de travessia. Ao mesmo tempo, analistas observam que momentos de atrito diplomático entre Madri e Rabat historicamente costumam coincidir com aumentos no fluxo migratório na região.

A comunidade marroquina já é a maior população estrangeira residente na Espanha. Em 2021, dados oficiais apontavam cerca de 930 mil marroquinos vivendo legalmente no país europeu. A proximidade geográfica entre os dois países faz da Espanha um dos principais destinos da migração saída do Marrocos.

Entenda geografia da fronteira

• Reprodução | Google Maps
• Reprodução | Google Maps

Outros episódios

A cena de milhares de pessoas entrando em Ceuta não é inédita. Em maio de 2021, mais de 8 mil marroquinos cruzaram a fronteira em apenas dois dias, muitos deles nadando até o território espanhol. Na ocasião, a crise foi associada a um impasse diplomático entre os governos dos dois países após a Espanha receber para tratamento médico o líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.

Aquele episódio foi considerado uma das maiores crises migratórias da história recente da Espanha. Milhares de menores de idade participaram da travessia e o governo espanhol precisou mobilizar o Exército, reforçar a Guarda Civil e acelerar processos de repatriação.

As relações entre os dois países já enfrentaram outros momentos de tensão ligados ao controle migratório. Desde os anos 1980, quando começaram a ser registradas travessias irregulares por embarcações precárias rumo ao litoral espanhol, a fronteira entre Espanha e Marrocos tornou-se um dos principais pontos de entrada de migrantes na Europa.

O que a Espanha fará com os recém-chegados agora?

Diante da nova onda migratória, o governo espanhol mobilizou reforços de segurança para Ceuta. Unidades militares, equipes de mergulho, embarcações e agentes adicionais foram enviados para auxiliar no controle da fronteira e no atendimento aos migrantes.

As autoridades locais também solicitaram apoio do governo central para administrar a situação. Os migrantes que chegam ao território espanhol passam por processos de identificação e análise de eventual pedido de proteção internacional. Dependendo da situação jurídica, parte deles pode ser encaminhada para centros de acolhimento ou repatriada para o Marrocos mediante acordos bilaterais entre os dois países.

A União Europeia acompanha o caso e já sinalizou apoio à Espanha no reforço do controle fronteiriço. Segundo veículos europeus, a agência Frontex, responsável pela gestão das fronteiras externas do bloco, poderá colaborar com medidas adicionais de vigilância.

Fronteira será vitrine da Copa do Mundo

A nova crise migratória acontece em um momento simbólico para as relações entre Espanha e Marrocos. Os dois países serão coanfitriões da próxima edição da Copa do Mundo, em 2030, ao lado de Portugal, em um torneio que pretende celebrar o centenário do Mundial. A escolha conjunta foi vista como um marco de cooperação entre Europa e África. No entanto, a recente pressão migratória em Ceuta evidencia que, apesar da aproximação promovida pelo futebol, questões históricas envolvendo fronteiras, desenvolvimento econômico e mobilidade humana continuam sendo um dos maiores desafios da relação entre Madri e Rabat.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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