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Paraguai repudia fala de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança

Governo do Paraguai expressou formalmente seu desagrado pelas declarações do presidente Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança, entregando uma nota de repúdio ao embaixador brasileiro

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Imagem meramente ilustrativa • Pixabay/Reprodução

O embaixador brasileiro José Antonio Marcondes de Carvalho recebeu uma nota de repúdio durante uma reunião com autoridades do Paraguai nesta sexta-feira (31), após ter sido convocado pelo governo paraguaio. A convocação e o descontentamento formal se deram por uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança.

A nota entregue ao embaixador expressa "formalmente seu desagrado" pelas declarações de Lula. "As rejeita em todos os seus termos já que apresentam de maneira distorcida fatos históricos de singular relevância para o povo paraguaio", diz o documento, após "conversas mantidas entre as Altas Partes e de uma análise medida e serena".

Em coletiva de imprensa após a reunião, o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, afirmou que o descontentamento foi expresso pelos mais altos canais diplomáticos e do Poder Executivo. Segundo ele, o embaixador brasileiro José Antonio Marcondes de Carvalho esclareceu que o presidente Lula não teve a intenção de desrespeitar ou insultar o país.

Alliana disse que o governo paraguaio não tem interesse em aprofundar a crise, mas solicitou que o Brasil devolva os troféus de guerra e entregue uma cópia de todos os documentos relacionados ao conflito como um gesto de reparação.

"A distorção dos fatos históricos não contribui para consolidar o futuro comum de nossos povos", afirmou o vice-presidente. Ele completou, destacando a parceria entre os países no Mercosul e para a usina Itaipu: "Paraguai e Brasil são países irmãos. Compartilhamos uma extensa história de cooperação e uma agenda comum de enorme importância o desenvolvimento de nossos povos".

Alliana também reafirmou a vontade de manter um diálogo franco, respeitoso e construtivo com o Brasil e disse que a história deve ser um ponto de partida para um futuro próspero.

Além do vice-presidente, participaram da reunião o chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano, o vice da chancelaria paraguaia, Víctor Verdún, e um representante da embaixada brasileira. O ministro das Relações Exteriores do Paraguai anunciou a convocação do embaixador brasileiro na quinta-feira (30).

Na última sexta-feira (24), o presidente Lula afirmou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, levando à Guerra da Tríplice Aliança.

"A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos", disse o presidente.

A fala gerou indignação na população e na classe política paraguaia. Estimativas do Paraguai indicam que cerca de 70% da população do país tenha morrido no conflito do século XIX.

O desconforto aumentou depois que o governo brasileiro negou a alegação da chancelaria paraguaia de que o presidente Lula e o presidente Santiago Peña teriam conversado por telefone sobre as falas do petista.

Na coletiva desta sexta-feira (31), o chanceler Rubén Ramírez Lezcano reafirmou que o presidente Santiago Peña disse ter conversado com o presidente Lula.

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