Arábia Saudita anuncia aliança de defesa marítima com 14 países após bloqueios no Mar Vermelho
Coalizão foi criada para proteger rotas comerciais e de energia no Mar Vermelho, no Golfo de Áden e no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb após ameaças dos rebeldes houthis

A Arábia Saudita anunciou nesta quinta-feira (30) a criação de uma aliança de defesa marítima com outros 14 países para reforçar a segurança da navegação no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, em meio à escalada de tensões no estratégico Estreito de Bab el-Mandeb. A medida foi anunciada dias após os rebeldes houthis, do Iêmen, declararem um bloqueio marítimo contra o reino saudita e reivindicarem ataques a petroleiros sauditas na região.
Segundo comunicado conjunto divulgado pelo Ministério da Defesa saudita, a coalizão tem como objetivo “fortalecer a segurança marítima, proteger a liberdade de navegação, garantir as rotas comerciais internacionais e as rotas de abastecimento de energia, bem como proteger os interesses marítimos comuns no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho e no Golfo de Áden”. Riad afirmou que a aliança é “de natureza puramente defensiva” e “não é dirigida contra nenhum Estado” específico.
A Arábia Saudita será o país-sede e fundador da coalizão, cuja sede ficará em Riad. Também participam do grupo Kuwait, Bahrein, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia, o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, Bangladesh, Nigéria, Sudão, Djibuti e Somália.
Bloqueio houthi foi estopim
O anúncio da coalizão ocorre após os houthis declararem, na última segunda-feira (20), um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, afirmou que a medida entrou em vigor “com efeito imediato” e seria uma resposta às operações sauditas em áreas controladas pelos rebeldes no Iêmen.
A decisão elevou a tensão regional em um momento de forte deterioração das relações entre Estados Unidos e Irã, principal aliado político e militar dos houthis. Analistas avaliam que, mesmo sem ataques imediatos a navios, a ameaça já pressiona o tráfego marítimo e pode elevar custos de seguro e transporte de petróleo.
A trégua negociada em 2022 entre houthis e sauditas também ficou sob risco após novos confrontos registrados em julho. As hostilidades haviam sido reduzidas por cerca de quatro anos, depois de uma longa guerra iniciada em 2015, quando Riad passou a apoiar militarmente o governo iemenita contra os rebeldes.
Estreito de Bab el-Mandeb
O Estreito de Bab el-Mandeb é uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta. O corredor liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico, servindo de acesso ao Canal de Suez, principal ligação marítima entre Ásia e Europa. Milhões de barris de petróleo e grandes volumes de mercadorias atravessam diariamente a região. Qualquer ameaça à navegação pode provocar atrasos nas cadeias globais de abastecimento, aumento do custo do frete marítimo e pressão sobre os preços internacionais da energia.
Caso a rota se torne insegura, navios precisam contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, o que amplia o tempo de viagem, o consumo de combustível e os custos logísticos.
A importância do Bab el-Mandeb cresceu ainda mais com a pressão sobre o Estreito de Ormuz, outra passagem crucial para o petróleo do Golfo. Com o aumento das tensões envolvendo o Irã, o Mar Vermelho passou a funcionar como rota alternativa para parte do escoamento de petróleo e derivados. Especialistas alertam que uma interrupção simultânea em Bab el-Mandeb e Ormuz significaria um choque muito mais severo para o comércio internacional e para o abastecimento mundial de energia do que bloqueios isolados.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



