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Oriente Médio: Irã nega envolvimento em ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita

País persa financia o treimamento e armamento do grupo militar extremista; porta-voz militar dos Houthis confirmou ataque contra Base Aérea Rei Khalid, a quinta maior cidade saudita

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Imagem tirada da costa do Iêmen, a sudoeste da cidade de Taiz, mostra barcos no Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho
Imagem tirada da costa do Iêmen, a sudoeste da cidade de Taiz, mostra barcos no Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho • Khaled Ziad/AFP

O Irã negou, nesta segunda-feira (14), qualquer envolvimento no conflito travado pelo Houthis, grupo extremista do Iêmen, com as forças governamentais iemenitas e a Arábia Saudita.

Durante um pronunciamento, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou que os houthis são "totalmente independentes", indicando que o grupo toma as próprias decisões, em função dos próprio interesses.

Baqaei anunciou, ainda, que o governo saudita solicitou o adiamento de uma reunião entre Teerã e as potências do Golfo para apresentar um acordo com Omã sobre a regulamentação das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz.

Os Houthis — que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país — vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riad, em julho deste ano, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho.

A Defesa Civil da Arábia Saudita emitiu, também nesta segunda-feira (14), alertas de perigo em quatro cidades do Sul do país. Enquanto isso, o porta-voz militar do Houthis anunciou ter atacado a Base Aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, a quinta maior cidade da Arábia Saudita, visando instalações e infraestrutura militar.

Ataques e domínio de rota

Na última sexta-feira (11), os Houthis chegaram à cidade portuária de Dhubab e à ilha de Perim, ambas localizadas no Sudoeste do Iêmen e na Região do Estreito de Bab el-Mandeb. O movimento tornou o grupo ainda mais próximo de controlar o acesso ao Mar Vemelho.

Controlar Dhubab e Perim é considerado vital para comandar a via marítima, considerada uma das mais importantes do mundo por ligar o Mar Vermelho ao Hemisfério Oriental.

Na quinta-feira (10), os Houthis já haviam tomado Moca. Mesmo apesar dos avanços, o grupo disse que o tráfego por el-Mandeb, segunda rota mais importante para o comércio de petróleo, permanecia seguro e ininterrupto.

Quem são os Houthis?

Os Houthis (oficialmente chamados de Ansar Allah, "Defensores de Deus") são um grupo político e militar rebelde de orientação xiita zaidita originário do norte do Iêmen. Surgido na década de 1990, o movimento transformou-se em uma das principais forças geopolíticas do Oriente Médio e controla a capital iemenita, Sanaa, além de grande parte do Oeste do país.

O grupo foi criado por Hussein Badreddin al-Houthi como um movimento de revitalização cultural e religiosa para combater a marginalização da sua comunidade e a influência do fundamentalismo sunita (salafismo) financiado pela Arábia Saudita. Eles adotam um discurso abertamente anti-imperialista, anti-EUA e anti-Israel, alinhado à retórica do "Eixo de Resistência".

Guerra Civil no Iêmen

  • Aproveitando a fragilidade do governo iemenita após a Primavera Árabe, os Houthis tomaram o controle de Sanaa e forçaram a fuga do presidente reconhecido internacionalmente.
  • A expansão do grupo motivou a criação de uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita em 2015 para tentar reconquistar o território, desencadeando um conflito devastador e uma grave crise humanitária no Iêmen.
  • Apesar dos anos de bombardeiros e sanções, os Houthis mantiveram o controle sobre o centro populacional do país, estabelecendo um governo de fato.

O grupo recebe financiamento, treinamento e armamentos do governo iraniano, tornando-se uma peça fundamental da estratégia geopolítica de Teerã na Península Arábica.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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