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Grupo do Iêmen aliado ao Irã faz bloqueio naval e eleva tensão no Oriente Médio

Anúncio dos Houthis ocorreu após sinais, tanto do Irã quanto dos EUA, de interesse em retomar esforços diplomáticos para encerrar uma escalada de ataques

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Operários limpam os escombros do local de um ataque aéreo israelense que teve como alvo um prédio residencial no bairro de Haret Hreik, no sul de Beirute, em 23 de novembro de 2025
Imagem meramente ilustrativa • AFP

Os Houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) um bloqueio naval à Arábia Saudita, na entrada do Mar Vermelho. A decisão, que responde a um "cerco injusto" imposto pelos sauditas ao Iêmen, ocorre em meio a tensões crescentes no Oriente Médio e a pressões do Irã.

A medida acontece após pressão de Teerã sobre os rebeldes iemenitas, com o Irã indicando que poderia fechar rota no Mar Vermelho caso os Estados Unidos continuassem a atacar sua infraestrutura energética. Em comunicado, as forças armadas Houthis declararam "um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de 'olho por olho', com efeito imediato".

A imposição do bloqueio abre uma nova frente na guerra do Oriente Médio, que tem os Estados Unidos contra o Irã, e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo. Essa escalada de tensão já fez com que o Irã declarasse o Estreito de Ormuz como "linha vermelha" após ataques dos EUA. Não houve reação imediata por parte da Arábia Saudita.

O fechamento total do Estreito de Bab el-Mandeb reduziria a oferta global de petróleo em 7%, impedindo o escoamento da maior parte das exportações de petróleo saudita para fora da região. Essa interrupção se somaria à drástica redução nos fluxos globais de petróleo causada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em 10% da oferta mundial.

O anúncio dos Houthis ocorreu após sinais, tanto do Irã quanto dos EUA, de interesse em retomar esforços diplomáticos para encerrar uma escalada de ataques que praticamente inviabilizou o frágil acordo provisório assinado no mês passado.

Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters, nesta segunda-feira (20), que Teerã recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de dez dias, numa tentativa de salvar o acordo provisório. O objetivo é abrir caminho para um acordo duradouro que encerre a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente os 90 dólares por barril nesta segunda-feira, após novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, que Teerã já ameaçou fechar. Posteriormente, os preços recuaram um pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores haviam apresentado propostas a Teerã recentemente, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.

Nem o ministério nem a autoridade que falou à agência Reuters forneceram mais detalhes sobre as supostas discussões de cessar-fogo. Paralelamente, duas fontes do governo paquistanês informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni — em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana —, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito do Irã com os Estados Unidos.

Essa intensa atividade diplomática ocorreu depois que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido instalações militares dos EUA em toda a região, na sequência de mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas.

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