Tensão na Europa: drone russo atinge estação de trem na fronteira entre Polônia e Ucrânia
Ataque aconteceu momento depois de a passagem de um trem levando autoridades diplomáticas europeias de alto-escalão, como o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson

Um drone comandado pela Rússia atingiu uma estação ferroviária na fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, momento depois de a passagem de um trem levando autoridades diplomáticas europeias de alto-escalão. Entre eles, estavam o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o ex-premiê sueco Carl Bildt e o conselheiro de Segurança Nacional do Reino Unido, Jonathan Powell.
O ataque foi registrado no domingo (12). As autoridades faziam o trajeto entre as cidades de Kovel, na Ucrânia, e Dorohusk, na Polônia, após participarem de uma conferência de segurança em Kiev, capital ucraniana.
A União Europeia (UE) informou que o projétil atingiu um trem na estação ucraniana de Yahodyn, localizada a dois quilômetros da fronteira com a Polônia. O vagão foi evacuado minutos antes e não houve registro de feridos. A estação faz parte de uma rota muito usada por delegações estrangeiras que vão à Kiev.
A Ucrânia e a UE acusaram a Rússia pelo incidente, apontando acreditar que o trem diplomático seria de fato alvo dos russos — a locomotiva em que as autoridades estavam teve o cronograma "acelerado" por conta da ameaça e deixou Yahodyn mais cedo que o planejado. Se não fosse o caso, o veículo poderia ter sido atingido, segundo Kiev.
A operadora ferroviária ucraniana, Ukrzaliznytsia, divulgou nas redes sociais um pronunciamento sobre o caso: "É perfeitamente possível que o alvo pretendido pelo drone russo fosse o trem diplomático, que deixou a estação mais cedo do que o previsto depois que os horários dos trens foram ajustados em tempo real devido à ameaça constante de ataques russos", escreveu.
Rússia pretende manter ataques em território ucraniano
Nesta segunda-feira (14), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou sobre o ataque, afirmando que as "forças militares estão operando em todo o território da Ucrânia e continuarão a fazê-lo". Na véspera, a Rússia afirmou que atingiu "infraestruturas ferroviárias" no Oeste ucraniano utilizadas para transportar carga militar proveniente da Europa.
Repercussão
O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson condeou o ataque, caracterizando-o como "aleatório e sem sentido". O ex-chefe da CIA David Petraeus, que estava a bordo de outro trem que estava parado na estação de Yahodyn no momento do ataque, disse que o incidente foi "aterrorizante".
A chefe da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a Rússia tinha como objetivo, com o incidente, assustar os países ocidentais que apoiam a Ucrânia. Kallas ainda pediu para que os líderes europeus agissem de maneira oposta.
O secretário geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou que a Rússia está se tornando cada vez mais inconsequente, indicando que a aliança militar tem "todas as opções necessárias" para responder aos ataques híbridos russos.
Por sua vez, a Polônia fez uma reunião de emergência para discutir o ataque. O governo afirmou que "não cairá na armadilha de escalada contra a Rússia".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



