Irã ameaça fechar rota no Mar Vermelho se EUA atacarem rede elétrica
O Irã solicitou ao grupo Houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho, caso os Estados Unidos ataquem sua infraestrutura energética

O Irã pediu aos rebeldes Houthi do Iêmen que se preparem para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho, gerando uma nova e significativa ameaça ao abastecimento global de energia. A solicitação, revelada por fontes à agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (16), visa à interrupção da rota caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana.
A ideia de fechar o Mar Vermelho foi discutida pela liderança da República Islâmica e transmitida ao grupo aliado, conforme afirmaram duas fontes iranianas de alto escalão e uma fonte regional a par do assunto, que preferiram o anonimato.
As fontes detalharam que os Houthis foram informados recentemente sobre o pedido de Teerã, uma informação que não havia sido divulgada até então.
Não foram dados mais detalhes sobre a forma de transmissão da mensagem ou se ela ocorreu após a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética do Irã, feita nesta terça-feira (14).
O Ministério das Relações Exteriores do Irã e um porta-voz dos Houthi não estavam imediatamente disponíveis para comentar a solicitação da Reuters.
Uma fonte próxima aos Houthis revelou que o grupo já concluiu os preparativos para atacar navios com o lançamento de mísseis e drones. Os alvos seriam as proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, no planalto iemenita com vista para Hodeida e o Golfo de Aden, aguardando apenas a ordem para iniciar o ataque.
Qualquer ameaça ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb pode agravar enormemente a crise energética global, já iniciada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, e destaca os riscos explosivos de uma nova onda de guerra.
Com o Estreito de Ormuz já fechado, qualquer ataque dos Houthis a embarcações ou portos no Mar Vermelho interromperia simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio, abrindo uma nova frente tanto na crise energética quanto no conflito mais amplo do Irã com os Estados Unidos.
Representantes da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) que já estão no Iêmen controlarão a decisão sobre quando fechar o estreito de Bab el-Mandeb, conforme afirmou a fonte próxima aos Houthis.
Em um sinal de escalada das tensões na região, os Houthis dispararam mísseis contra a Arábia Saudita após acusarem o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle nesta segunda-feira (13), rompendo uma trégua de quatro anos no conflito entre o reino e o grupo.
Torbjorn Solvedt, principal analista para o Oriente Médio da empresa de inteligência de riscos Verisk Maplecroft, afirmou que a nova onda de hostilidades entre os Houthis e a Arábia Saudita ocorreu em um momento inoportuno.
"Se os combates se intensificarem e se propagarem para a infraestrutura de exportação e para a navegação no Mar Vermelho, isso ameaçará a única grande rota alternativa para as exportações de petróleo da região", disse Solvedt.
Duas fontes regionais próximas a Riad afirmaram que o reino estava levando muito a sério as ameaças do Irã e dos Houthis, acrescentando que Riad estava ciente de que o grupo iemenita agora coordenava estreitamente suas ações com o Irã em relação ao Mar Vermelho.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã, levando Teerã a fechar o Estreito de Ormuz, a principal rota, antes da guerra, para cerca de um quinto do suprimento global de energia.
As tensões aumentaram desde o colapso de uma trégua frágil firmada em junho entre Teerã e Washington, reacendendo o receio de uma guerra em grande escala e perturbando o fluxo de energia através do estreito.


