Irã intensifica ataques no Estreito de Ormuz e ameaça o abastecimento global de petróleo
Seis navios atingidos em dois dias e possíveis minas no canal aumentam tensão no Golfo Pérsico; EUA avaliam escolta de navios comerciais

O Irã vem usando sua posição estratégica no Estreito de Ormuz para exercer poder desproporcional em relação à sua capacidade militar limitada. Nesta quinta-feira (12), forças iranianas intensificaram ataques contra instalações petrolíferas e petroleiros, enquanto países do Golfo interceptaram drones e mísseis lançados pela República Islâmica.
O estreito é uma rota crucial, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Ao atacar embarcações que navegam pelo canal, o Irã ameaça interromper o fluxo global de energia, mesmo enfrentando capacidades militares inferiores às dos Estados Unidos e de Israel.
Segundo a agência marítima do Reino Unido, seis navios foram atingidos no Golfo Pérsico entre quarta e quinta-feira. Autoridades afirmam que o Irã também teria minado o estreito, criando um obstáculo adicional e elevando o risco para a navegação.
O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, reafirmou em pronunciamento televisivo que o estreito continuará fechado como “ferramenta de pressão”.
Atividade iraniana e guerra assimétrica
Fontes de inteligência dos EUA indicam que o Irã começou a instalar minas marítimas no estreito. Embora a implantação não seja extensa, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ainda mantém entre 80% e 90% de seus pequenos barcos e lançadores de minas, destacando a dependência de Teerã de táticas assimétricas.
A IRGC combina minas, barcos suicidas carregados de explosivos e baterias de mísseis em terra, formando um que especialistas chamam de “Vale da Morte” no estreito. Apesar de ataques aéreos dos EUA e Israel nos últimos 12 dias, a frota de pequenas embarcações da guarda permanece em grande parte intacta.
Recentes ataques resultaram em pelo menos um morto e três desaparecidos em um navio graneleiro de bandeira tailandesa. Dois petroleiros estrangeiros pegaram fogo em águas próximas ao Iraque, com o Irã atribuindo os incidentes a drones subaquáticos.
Resposta dos Estados Unidos
Os EUA enfrentam o desafio de garantir a segurança do Estreito de Ormuz. O Comando Central americano destruiu vários navios iranianos, incluindo 16 lançadores de minas, mas não confirmou a remoção das minas instaladas.
Especialistas alertam que restaurar a segurança completa do estreito pode levar meses, mesmo com escoltas militares. O secretário de Energia, Chris Wright, disse que a Marinha americana ainda não está pronta para escoltar navios comerciais de forma contínua.
Impactos econômicos globais
A interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz ameaça o abastecimento global de energia. Cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de produtos petrolíferos permanecem retidos no Golfo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
Rotas alternativas por oleodutos existem, mas são insuficientes para suprir a demanda mundial. A maior exportadora global, Saudi Aramco, alertou para “consequências potencialmente catastróficas” caso a passagem não seja restabelecida.
Na Ásia, países importadores de petróleo já adotam medidas emergenciais: escolas foram fechadas no Paquistão, a Coreia do Sul impôs um teto de preço para combustíveis, e a Tailândia determinou trabalho remoto para funcionários públicos.
Contexto histórico
Não é a primeira vez que o Estreito de Ormuz se torna palco de conflito. Durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, ambos os países atacaram petroleiros e instalaram minas no estreito, chegando a atingir o navio de guerra americano USS Samuel B. Roberts. O incidente resultou em retaliação de Washington, que reduziu significativamente a capacidade iraniana no Golfo.
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