Oriente Médio: EUA anunciam novas sanções ao petróleo iraniano
Decisão foi anunciada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos; medida pode ser estendida para países que compram petróleo do país persa

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (15), novas sanções contra mais de 200 indivíduos, empresas e embarcações que estariam envolvidos na exportação de petróleo e gás natural do Irã, segundo a pasta.
A decisão acontece um dia após o Departamento de Tesouro ter anunciado que restabeleceria as sanções contra contra todo o petróleo iraniano, após ter concedido temporariamente a Teerã uma licença de um mês para vender petróleo que estava armazenado em navios-tanque.
O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que sinalizou que os EUA estão dispostos, inclusive, a aplicar sanções em países que compram petróleo iraniano.
As entidades atingidas pelas sanções fazem parte de uma rede comandada por Mohammed Hossein Shamkhani. O pai dele era um dos principais conselheiros políticos do antigo líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Os dois foram mortos em ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o país persa.
Nove embarcações — entre petroleiros e navios-tanque de gás liquefeito de petróleo (GLP) — estão incluídas nas sanções, além de várias empresas sediadas nos Emirários Árabes Unidos.
O Irã enfrenta sanções dos Estados Unidos desde o ano passado. Em julho de 2025, o governo de Donald Trump anunciou um conjunto de punições contra mais de 115 indivíduos, entidades e embarcações ligadas ao país.
Os países são protagonistas de um conflito que atinge o Oriente Médio desde o fim de fevereiro deste ano. Na última terça-feira (7), o Irã confirmou o acordo de cessar-fogo, de duas semanas, com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas.
Porém, os Estados Unidos anunciaram um bloqueio no Estreito de Ormuz que iniciou pouco antes do cessar-fogo completar uma semana, na segunda-feira (14). Desde então, tropas norte-americanas controlam a entrada e saída de embarcações na região e já atacaram 158 navios iranianos. Veja detalhes sobre os últimos acontecimentos no Oriente Médio:
Cessar-fogo de duas semanas
O Irã confirmou em 7 de abril o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas. O anúncio ocorre após o presidente americano, Donald Trump, declarar que adiou por duas semanas ataques contra Teerã, desde que o país reabrisse a rota marítima.
Em nota, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para pôr fim à guerra na região. Segundo Araghchi, as forças armadas do Irã cessarão suas “operações defensivas”, se os ataques contra o país forem interrompidos.
Ainda conforme o chefe da pasta iraniana de Negócios Estrangeiros, a decisão considera o pedido dos EUA para negociações baseadas na proposta de 15 pontos do Irã, assim como o anúncio de Trump sobre a aceitação da estrutura geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para as negociações.
EUA bloqueiam Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos anunciaram em 12 de abril que iriam bloquear o Estreito de Ormuz às 11h (horário de Brasília) do dia 13. Ao fechar o estreito, os EUA podem cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo e para as operações militares do Irã.
O Comando Central dos EUA confirmou o bloqueio, afirmando que "será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã", informou. .
Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer "navio de ataque" do Irã que se aproximar do bloqueio serão destruídas.
Conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito em definitivo, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



