Oriente Médio: chefe da Otan se reunirá com Trump após cessar-fogo com Irã
Antes de se encontrar com o presidente dos EUA, Mark Rutte manteve conversas com o secretário de Estado norte-americano

O chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, tem um encontro marcado, nesta quarta-feira (8), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça abandonar a Aliança Atlântica, após o anúncio de um cessar-fogo com o Irã, no Oriente Médio. Mais cedo, o secretário-geral da Otan manteve conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
As conversas entre Rutte e Rubio se concentraram nas operações militares contra o Irã, na guerra na Ucrânia e no reforço da coordenação e da "divisão de encargos" com os aliados da Otan, segundo um comunicado de um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott.
Os Estados Unidos desempenham um papel militar central dentro da Otan desde sua criação em 1949, mas no ano passado obtiveram um forte aumento dos gastos de defesa dos demais membros da Aliança até 2035. Diante de Trump, Rutte deverá recorrer mais uma vez à sua relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos para tentar amenizar suas duras críticas à organização.
O republicano não economiza elogios ao chefe da Otan, a quem chama de "um cara formidável", "genial", mas critica os europeus por recusar ajudar os Estados Unidos e Israel na ofensiva contra o Irã, que cumprem um cessar-fogo de duas semanas há menos de 24 horas.
Cessar-fogo de duas semanas
O Irã confirmou, na terça-feira (7), o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos e indicou a reabertura do Estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do país islâmico por duas semanas. O anúncio ocorre após o presidente americano, Donald Trump, declarar que adiou por duas semanas ataques contra Teerã, desde que o país reabrisse a rota marítima.
Em nota, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Seyed Abbas Araghchi, agradeceu o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, pelos esforços para pôr fim à guerra na região. Segundo Araghchi, as forças armadas do Irã cessarão suas “operações defensivas”, se os ataques contra o país forem interrompidos.
Ainda conforme o chefe da pasta iraniana de Negócios Estrangeiros, a decisão considera o pedido dos EUA para negociações baseadas na proposta de 15 pontos do Irã, assim como o anúncio de Trump sobre a aceitação da estrutura geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para as negociações.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo




