Oriente Médio: mesmo com ameaças de Trump, Irã diz que não abrirá 'portas para diálogo'
Presidente dos EUA tem feito diversas ameaças contra o país persa; republicano afirmou que 'uma civilização inteira morrerá' caso Teerã não entre em acordo com Washington

A porta-voz do governo do Irã, Fatemeh Mohajerani, disse à agência de notícias oficial da República Islâmica, IRNA, nesta terça-feira (7), que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não contribuirão para um possível diálogo entre os países.
O norte-americano tem escalado as ameaças contra o Irã e chegou a afirmar, na segunda-feira (6), que os EUA podem atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas iranianas caso o país persa não chegue a um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz.
Trump ainda apontou que o Irã tem até 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira (7) para fechar um acordo. Caso contrário, o país poderia ser "derrubado" em uma noite, apontando que isso poderia acontecer, inclusive, na terça.
Em uma entrevista à IRNA, Mohajerani disse que "manter a paz e a segurança do povo é a principal prioridade do governo, e ameaças não perturbarão a tranquilidade pública", acrescentando que a porta para o diálogo se abre com respeito; o caminho estreito das ameaças, da mesquinhez e da humilhação não é uma porta de entrada".
O porta-voz irianiano finalizou alertando que "ameaçar uma 'civilização' é, acima de tudo, um sinal de ignorância da história de uma nação que superou crises repetidamente e continua de pé".
Mais cedo nesta terça (7), Trump afirmou que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", em referência à aproximação do prazo final para que o Irã feche um acordo com os Estados Unidos e reabra o Estreito de Ormuz.
Irã corta comunicação direta com os EUA
O Irã cortou as comunicações diretas com os Estados Unidos, nesta terça-feira (7), sendo uma resposta à ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, informou o The Wall Street Journal. Mesmo assim, autoridades do Oriente Médio afirmaram que a negociação entre os países continua.
A decisão também havia sido noticiada pelo Tehran Times. Mas, o jornal iraniano voltou atrás e publicou, em uma rede social, afirmando que os canais de comunicação entre os países não estão fechados.
Em caso de escalada nas ofensivas dos Estados Unidos, autoridades iranianas ameaçaram deixar "todo o Oriente Médio no Escuro" se os EUA atacarem usinas de energia do Irã.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



