Oriente Médio: China e Rússia vetam resolução sobre Estreito de Ormuz
Proposta foi elaborada pelo Bahrein e incentivava países utilizar força para reabrir passagem marítima

A China e a Rússia vetaram, nesta terça-feira (7), uma resolução do Bahrein, apresentada ao Conselho de Segurança da ONU, que previa o uso da força no Estreito de Ormuz — passagem marítima que está bloqueada pelo Irã, em meio à guerra do Oriente Médio envolvendo também os Estados Unidos e Israel.
"O projeto de resolução não foi adotado devido ao voto contrário de um membro permanente do Conselho", declarou o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ao conselho.
No total, a proposta recebeu 11 votos a favor, dois contra (China e Rússia) e duas abstenções. Porém, os membros permanentes têm o poder de vetar qualquer medida. A votação estava inicialmente marcada para a semana passada, mas foi adiada para tratativas entre diplomatas para tentar desbloquear os vetos.
A medida já enfrentava oposição da China, Rússia e da França. Os três diziam não concordar com o ponto do texto que permitia que países empregassem "qualquer medida necessária" para abrir caminho no Estreito de Ormuz.
Em uma tentativa de conquistar o apoio dos países, o Bahrein retirou do texto a referência de aplicação obrigatória da medida. O esboço final da proposta autoriza o uso da força "por um período de pelo menos seis meses (...) e até que o Conselho decida de outra forma".
A França mudou de posição e passou a apoiar a medida após as negociações. Mas a Rússia e a China mantiveram a posição contrária mesmo após a flexibilização. Mesmo com uma posição neutra na guerra, a China tem mostrado um alinhamento pragmático com o Irã, sendo o principal comprador de petróleo do país persa.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente
O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.
Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



