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Guerra no Oriente Médio: gasolina nos EUA chega ao maior preço desde 2023

Valor chega a aproximadamente US$ 3,72 por galão; preços do diesel e petróleo também foram afetados pelo conflito

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Valor da gasolina subiu 74 centavos de dólar por galão nos EUA • André Ribeiro / Agência Petrobras

O conflito no Oriente Médio envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã está interferindo diretamente na alta dos preços de petróleo e do gás, inclusive no país norte-americano. O aumento foi influenciado, principalmente, pelo ataques a instalações petrolíferas iranianas no último fim de semana e depois que a Casa Branca sugeriu que a guerra poderia durar semanas.

O preço da gasolina dos Estados Unidos subiu cerca de dois centavos de dólar, chegando a US$ 3,72 por galão em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Desde o início da guerra com o Irã, há aproximadamente três semanas, o valor da gasolina subiu 74 centavos de dólar por galão. O aumento de 26,9% no preço no último mês é o maior desde o furacão Katrina, que atingiu os EUA em 2005.

O preço do diesel também subiu US$ 1,24, chegando a média de US$ 4,99 por galão, aproximando-se dos US$ 5 pela primeira vez desde dezembro de 2022. O valor já mobilizou algumas empresas de transporte rodoviário que já estão adicionando sobretaxas de combustível.

Já o petróleo Brent, referência global, subiu, na última segunda-feira (16) para US$ 103,50 o barril. Em contrapardia, o WTI, petróleo extraído principalmente pelos EUA, caiu 1% no mesmo dia, para cerca de US$ 98 o barril.

Os dois petróleos estão no níveis mais altos desde 2022. Neste quesito, o fechamento do Estreito de Ormuz para a maioria dos petroleiros causou a maior interrupção no fornecimento do combustível fóssil da história. Cerca de 20% do fornecimento mundial transita pela passagem marítima entre o Irã e a Península Arábica.

Entenda o conflito no Oriente Médio

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear.

Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (773), Omã (3).

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

*Com CNN 

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.