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Superquarta: juros no Brasil e EUA podem ser impactados pela guerra

Diretores do Banco Central e do Federal Reserve voltam a se reunir nesta quarta (18) para decidirem a política monetária

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Prédio do Banco Central
Prédio do Banco Central em Brasília • Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em meio a guerra no Oriente Médio, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) e o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed) decidem nesta quarta-feira (18) a taxa de juros de Brasil e Estados Unidos. No mercado, a expectativa é de que a disparada no preço do petróleo seja, pelo menos, mencionada no comunicado das autoridades.

Com o preço do barril ultrapassando os US$ 100, no Brasil os especialistas ajustaram a expectativa de corte de 0,50 ponto percentual (p.p) para 0,25 p.p, de acordo com o Boletim Focus de segunda-feira (16). Se confirmado, o Copom vai ajustar a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano, o primeiro corte na Selic desde junho de 2025.

Segundo a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, o aumento na cotação do petróleo é parcialmente compensado pela queda do dólar. A depreciação da moeda norte-americana ocorre porque o Brasil é exportador da commodity.

“Ainda assim esperamos uma alta pontual dos combustíveis nos próximos meses. Tal elevação, considerando o atual patamar do petróleo em $90, estaria dentro do intervalo da meta, que existe justamente para absorver choques temporários”, disse Vitória.

Para o ano, a especialista ressaltou uma expectativa de corte de 3,00 p.p, com a Selic terminando 2026 em 12%. Ainda de acordo com ela, a redução nos juros poderá ser menor caso haja um impacto mais prolongado na inflação e uma deterioração do risco fiscal.

“Por outro lado, uma desaceleração maior da atividade pode contribuir para um espaço maior para cortes, considerando a defasagem maior que a usual da política monetária na desaceleração do crédito”, completou.

E nos Estados Unidos?

Em relação ao juros nos Estados Unidos, a expectativa do mercado é de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Seria a segunda fez que a autoridade monetária norte-americana mantém os juros inalterados, apesar da pressão do presidente Donald Trump por cortes mais altos.

O conflito iniciado por bombardeios dos EUA e Israel contra o Irã eleva a incerteza para a política monetária do Fed, com a pressão inflacionária que a alta no petróleo deve causar na economia local.

“Esperamos que o Fed mantenha os juros estáveis enquanto debate as perspectivas, incluindo o grau em que o emprego se estabilizou, o risco que os preços mais altos do petróleo representam para a inflação e a atividade e o caminho apropriado para a política monetária", disse o economista Michael Gapen, do Morgan Stanley para os EUA.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.