Juros altos reconfiguram mercado e renda fixa domina investimentos
Com a taxa Selic em 14,25%, o mercado financeiro brasileiro vê a renda fixa dominar as preferências dos investidores. Especialistas analisam os impactos dessa dinâmica nos fundos de ações, venture capital e na economia em geral

Com a taxa Selic a 14,25%, o mercado financeiro do Brasil observa um domínio crescente da renda fixa, alterando a dinâmica de investimentos e reduzindo o interesse por ativos de maior risco. Especialistas apontam que essa preferência, impulsionada pelos juros elevados, pode "secar" recursos para iniciativas empreendedoras e, consequentemente, afetar a economia e a geração de empregos.
"O que estamos vendo é o resgate dos fundos de ações, gestores multimercado perdendo captação, poucos IPOs e menos recursos para fundos de venture capital. O mercado financeiro acaba ‘secando’ para iniciativas empreendedoras, o que significa menos geração de empregos e menor atividade econômica também", analisa a apresentadora da Resenha do Dinheiro, Marilia Fontes.
Além disso, o ambiente tem sido desafiador para boa parte da indústria de fundos. Segundo Marilia, o desempenho dos fundos de ações ficou comprometido porque a alta recente da bolsa esteve concentrada em empresas do setor de petróleo, segmento que muitos gestores evitam devido aos riscos relacionados à governança e à influência política.
"A performance dos fundos de ações está ruim porque boa parte da alta da bolsa ficou concentrada na Petrobras e em empresas menores ligadas ao petróleo em meio aos efeitos da guerra. Muitos gestores evitam esse tipo de ativo, o que fez com que os resultados ficassem abaixo do esperado. Hoje, os juros concorrem diretamente com a bolsa", afirma.
Diante desse cenário, o fundador e ceo do Yubb, Bernardo Pascowitch, defende que momentos de maior incerteza exigem foco em liquidez e preservação de patrimônio.
"Com o cenário internacional, o Brasil, as eleições e os juros elevados trazendo tantas dúvidas, faz sentido adotar uma postura mais conservadora. É um momento para manter liquidez, com aplicações como Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária, desde que emitidos por instituições financeiras sólidas", aconselha.
A apresentadora acrescenta que investidores com patrimônio maior também podem considerar ampliar a diversificação geográfica da carteira.
"Hoje existem muito mais facilidades para investir no exterior por meio das corretoras, o que reduz a concentração dos investimentos apenas no mercado brasileiro", observa.
Para o educador financeiro Thiago Godoy, porém, a busca por proteção não significa abandonar completamente a renda variável.
"Isso não quer dizer que o investidor precise sair da bolsa porque ela vem enfrentando um período mais difícil. O importante é diversificar, pensar no longo prazo e reorganizar a carteira de acordo com o cenário. O que importa é a estratégia adotada e o resultado acumulado ao longo do tempo", diz.
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e Bernardo Pascowitch, fundador e ceo do Yubb. Ele propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
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