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Copom diz que cenário da inflação piorou e vê convergência à meta somente em 2028

Ata da última reunião do colegiado mostra preocupação com elevada incerteza e diz que Selic será ajustada de acordo com a 'evolução do cenário'

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Prédio do Banco Central
Prédio do Banco Central em Brasília • Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) avaliou que o cenário da inflação se deteriorou entre as reuniões de abril e maio. A autoridade monetária divulgou a ata da decisão que cortou a taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano, nesta terça-feira (23), onde projetou uma convergência do IPCA para a meta somente em 2028 e afirmou que a calibração dos juros ocorre de acordo "com a evolução do cenário".

A ata detalha que "em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028. Destacou-se que a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta".

No horizonte relevante do Copom, o IPCA entraria nos limites da meta somente no quarto trimestre de 2027, quando o índice de preços está estimado em 3,7%. Cabe lembrar que a meta da política monetária é 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos.

O documento do Copom ainda aponta que, desde a reunião de abril, ficou "evidente" uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, especialmente para o ano de 2028. "A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", diz o documento.

Mesmo com a piora no cenário inflacionário, a ata do Copom enfatizou que a decisão de reduzir a taxa de juros levou em conta as "melhores práticas de política monetária". O comunicado do colegiado mencionou especificamente os choques de petróleo decorrentes da guerra no Oriente Médio e os efeitos do El Niño como fatores que impactam a economia.

"O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes".

O comunicado finaliza afirmando que "O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.