Copom realiza o terceiro corte na taxa de juros em 2026; Selic vai a 14,25%
Decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo projeção do boletim Focus de segunda-feira (15)

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) decidiu, nesta quarta-feira (17), realizar o terceiro corte na taxa básica de juros (Selic) em 2026. O colegiado reduziu os juros de referência do mercado de 14,5% ao ano, para 14,25% ao ano, continuando o ciclo de afrouxamento da política monetária mesmo em um momento de incerteza.
A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo projeção do boletim Focus divulgado pela autoridade monetária na última segunda-feira (15). Apesar do corte, especialistas apontam que a continuidade do ciclo é incerta para as próximas reuniões, tendo em vista o cenário macroeconômico de alta nas projeções da inflação e o risco fiscal do período eleitoral.
De acordo com o último Focus, o mercado elevou a projeção de fechamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pela 14ª semana seguida, de 5,11% para 5,30%. A expectativa é bem acima da meta de 3%, mesmo considerando o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos. Ao mesmo tempo, a projeção da Selic subiu de 13,5% para 13,75% ao ano.
Na prática, o relatório demonstra que os especialistas esperam um corte a menos no ano, caso o BC siga no ciclo de 0,25 p.p. Em março, a autoridade monetária realizou o primeiro corte da Selic em 2026, levando a taxa do patamar histórico de 15% ao ano para 14,75%. Em abril, o movimento foi repetido para 14,5%.
Superquarta
Em complemento com a superquarta, quando Estados Unidos e Brasil decidem a suas políticas monetárias, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), manteve a taxa de juros inalterada na faixa entre 3,5% e 3,75%. A reunião desta quarta-feira (17) é a quarta seguida em que a autoridade monetária americana mantém os juros estáveis no país, a primeira sob a presidência do economista Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump.
Segundo o comunicado do Fed, o grupo tomou a decisão em apoio ao seu mandato duplo, onde utiliza a política monetária para controlar a inflação e manter o nível de empregabilidade dos Estados Unidos. A nota divulgada destaca que a atividade econômica dos EUA se expande em ritmo sólido, apesar da incerteza com o conflito no Oriente Médio.
“O crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego apresentou pouca variação”, disse o comunicado.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



