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Eloos: 'Fim da escala 6x1 encarece construção civil em até 14%', alerta líder do Sinduscon-MG

Durante evento em BH, Raphael Lafetá cobra revisão de encargos trabalhistas e alerta que juros altos e mudanças na jornada vão encarecer empreendimentos nos próximos ano

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Eloos: 'Fim da escala 6x1 encarece construção civil em até 14%', alerta líder do Sinduscon-MG
Uarlen Valerio/ Itatiaia

A proposta do fim da escala 6x1 pode encarecer o custo da construção civil no país entre 12% e 14% e gerar um déficit imediato de mais de 270 mil trabalhadores no setor. O alerta foi feito por Raphael Lafetá, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), durante o encerramento do quinto ciclo do Eloos Itatiaia, nesta segunda-feira (3), em Belo Horizonte. Ao participar de painel sobre o futuro do mercado de trabalho, o dirigente defendeu uma revisão profunda na carga tributária e nos encargos trabalhistas para evitar o encarecimento da casa própria e a desaceleração de um setor que representa 30% do PIB nacional.

Participante do segundo painel do seminário, focado no futuro do mercado de trabalho e na competitividade do setor, o dirigente destacou a relevância estratégica do segmento como indústria de base do país.

"A indústria da construção civil emprega hoje 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, só a indústria, sem contar os empregos indiretos que gera e toda a cadeia que movimenta. É a base das indústrias: é ela que chega primeiro fazendo as estradas, a infraestrutura e permitindo que se construam as outras indústrias. É um segmento que representa 30% do PIB nacional e discutir esses assuntos é de suma importância para destravar o Brasil", enfatizou Lafetá.

Alerta sobre a escala 6x1: déficit de trabalhadores e alta no custo do imóvel

Um dos momentos mais impactantes da exposição do presidente do Sinduscon-MG foi a análise sobre a proposta de fim da escala 6x1. Embora grande parte dos canteiros de obras já distribua as horas de sábado ao longo dos dias úteis, Lafetá alertou que o fim formal do modelo trará fortes pressões financeiras e operacionais para a cadeia imobiliária.

Estudos elaborados pelo sindicato e já entregues à Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projetam gargalos significativos para o setor: "Fizemos uma conta no sindicato e entregamos para a CBIC: vamos precisar de mais de 270 mil trabalhadores para manter o nível de produção que temos hoje. Isso vai aumentar de 12% a 14% o custo da construção civil. Se temos um aumento de custos devido a fatores externos, isso reflete diretamente no bolso de quem vai adquirir a casa própria", pontuou o dirigente.

Para o líder empresarial, qualquer alteração na jornada precisa vir acompanhada de um pacote de contrapartidas, incluindo a revisão dos encargos trabalhistas e a modernização das normas urbanísticas que regem as edificações nas cidades.

Juros altos e o efeito retardado no setor imobiliário

Durante o painel, Raphael Lafetá também explicou a dinâmica singular do impacto da política monetária sobre a construção. Como os empreendimentos possuem ciclos longos, com média de cinco anos do lançamento até a entrega, a taxa de juros atual não atinge o mercado imediatamente, mas compromete as etapas futuras da atividade.

"Os juros agora vão afetar a movimentação daqui a dois ou três anos. No ano passado tivemos recorde de lançamentos, então este ano teremos que construir o que foi vendido, e os juros vão pesar agora, deixando a compra do imóvel mais cara. Juros são questão conjuntural; precisamos focar no estrutural, que são os encargos na folha de pagamento e tributos", explicou.

Reforma Tributária e reformulação do modelo de negócios

Ao comentar a transição tributária e o modelo de créditos e débitos que passará a vigorar no país, o presidente do Sinduscon-MG destacou que o setor vive um momento de virada histórica que exigirá adaptação acelerada das empresas.

"A questão do crédito e débito é algo que não fazíamos antes e agora vamos ter que repensar: como comprar valor agregado ao invés de agregar valor. Vai haver uma mudança e uma reforma muito grande na construção civil. Mas o Brasil pesa a mão nos encargos trabalhistas. O trabalho hoje é muito tributado e a gente tem que repensar tudo isso para conseguir ser mais competitivo", concluiu Lafetá.

Eloos Indústria

O quinto ciclo do Eloos Itatiaia foi encerrado nesta segunda-feira, dia 3 de agosto, com um evento que reuniu os principais nomes da indústria para um debate sobre o papel do setor na transformação da economia brasileira, seus desafios e potencialidades. O primeiro painel do seminário teve como tema o “Custo Brasil: defesa comercial e logística na disputa pelo mercado global”.

A mesa discutiu gargalos que travam a competitividade brasileira no comércio internacional, como a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial como o ‘antidumping’ diante da concorrência desleal externa. O instrumento é previsto pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para coibir a venda de produtos abaixo do preço de mercado, prática que distorce as transações entre países.

O segundo painel do evento de encerramento do Eloos Indústria debateu o futuro do mercado de trabalho no setor. O centro do debate foi a proposta de fim da escala 6x1, que reacendeu as discussões sobre a jornada de trabalho no Brasil. Setores que dependem de operação contínua ou no pico de demanda em fins de semana precisam equacionar a mudança de jornada com custo operacional e a produtividade.

O painel de encerramento do quinto ciclo Eloos Itatiaia debateu o papel da diversificação industrial no futuro de Minas Gerais. Mais do que um debate técnico, a mesa propôs uma discussão estratégica: diversificar a economia do estado reduz a exposição a choques externos, agrega valor à produção local e sustenta empregos mais qualificados no longo prazo.

Eloos Itatiaia

O Eloos Itatiaia é um movimento independente, apartidário e plural, criado pelo Grupo Itatiaia para reunir diferentes vozes, ideias e experiências em torno de um objetivo comum: impulsionar o desenvolvimento socioeconômico de Minas Gerais e do Brasil.

Por meio do Eloos, o Grupo Itatiaia promove a integração entre pessoas que atuam com propósito, em diferentes setores estratégicos para o país. O projeto é um espaço de diálogo qualificado, onde pontos de vista se encontram para gerar soluções concretas para os desafios comuns.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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