Estudo aponta impactos dos investimentos em minerais críticos no Brasil
Pesquisa estima crescimento de até 1,64% no PIB acumulado até 2050 com expansão da produção e uso dos minerais em cadeias produtivas nacionais

Os investimentos na cadeia de minerais críticos e estratégicos podem acrescentar até 1,64% ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de forma acumulada entre 2026 e 2050. A estimativa faz parte de um estudo que analisou dois cenários para a expansão da produção desses minerais no país: um com foco na exportação e outro com maior utilização dos recursos como insumos em cadeias produtivas nacionais.
No primeiro cenário, em que os minerais são destinados majoritariamente à exportação e os investimentos são financiados por recursos domésticos, o impacto acumulado estimado sobre o PIB é de 1,10%, o equivalente a R$ 128,66 bilhões. Já no segundo, que considera também o uso dos minerais pela indústria brasileira e a entrada de recursos externos, o crescimento estimado chega a 1,64%, ou R$ 192,07 bilhões.
A diferença entre os dois cenários representa um acréscimo de 0,54 ponto percentual no PIB brasileiro, equivalente a R$ 63,41 bilhões. O estudo aponta que o chamado efeito de adensamento das cadeias produtivas amplia os impactos econômicos porque os minerais deixam de ser utilizados principalmente para exportação e passam a abastecer setores nacionais de transformação.
É o que explica um dos autores da pesquisa, o professor do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Edson Domingues, especialista nos impactos econômicos dos investimentos em minerais críticos e terras raras.
“O cenário 1, onde basicamente esse investimento gera produtos para exportação. O cenário 2, onde esses minerais são utilizados domesticamente em outras indústrias, como se ter baterias, carros, etc. E aí no cenário 2, o mesmo investimento tem obviamente maior impacto”, explica.
Geração de emprego
Segundo Domingues, a estimativa é de que os investimentos também tenham impacto sobre o mercado de trabalho. No primeiro cenário, a pesquisa estima a geração de aproximadamente 304 mil ocupações até 2050. No segundo, com maior utilização dos minerais nas cadeias produtivas nacionais, a estimativa chega a 750 mil ocupações.
“A gente estima a geração de emprego em 25 anos decorrendo desses investimentos e dos efeitos de cadeias produtivas de 300 mil ocupações no cenário 1. E no cenário 2, com mais utilização em cadeias domésticas, 750 mil ocupações em 25 anos seria o acréscimo de atividade econômica gerado por esses investimentos”, detalha.
Outros setores
Além do impacto sobre o PIB e o emprego, o estudo aponta que o uso dos minerais na indústria brasileira amplia os efeitos para outros setores da economia. No segundo cenário, as indústrias de transformação apresentam crescimento acumulado de 1,82%, contra 0,64% no primeiro cenário. A construção também registra impacto maior, passando de 3,81% para 4,54%.
Entre os segmentos da indústria de transformação, os maiores impactos no segundo cenário aparecem na fabricação de máquinas e equipamentos elétricos, com crescimento acumulado de 16,70%, na fabricação de máquinas de extração mineral, com 9,77%, e na fabricação de automóveis, com 5,49%. Segundo o estudo, os resultados refletem a ampliação das cadeias relacionadas a baterias, equipamentos elétricos, veículos e outras tecnologias ligadas à transição energética.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.



