'Sol da meia-noite': fenômeno deixa cidade do Alasca três meses sem escuridão
Pelos próximos 84 dias, os cerca de 5.000 moradores de Utqiagvik não verão o pôr do sol; porções da Rússia, Canadá, Groenlândia, Noruega e Finlândia também podem passar por isso

A pequena cidade de Utqiagvik, situada no ponto mais setentrional do Alasca, deu início no último domingo (10) a um dos ciclos biológicos e geográficos mais peculiares. Pelos próximos 84 dias, os cerca de 5.000 moradores da região não presenciarão o pôr do sol, vivendo sob claridade ininterrupta até o dia 2 de agosto.
O fenômeno, conhecido popularmente como “sol da meia-noite", é uma característica das regiões situadas entre o Círculo Polar Ártico e o Polo Norte. Nestas latitudes, a dinâmica celeste ignora o relógio: mesmo às 2h ou 4h da manhã, a luz solar permanece presente, o que obriga a população a adotar hábitos rigorosos de isolamento luminoso.
Por que isso acontece?
A explicação para os dias intermináveis está na anatomia do planeta. A Terra não rotaciona de forma vertical, mas apresenta uma inclinação de 23,5 graus em seu eixo. Durante o verão no Hemisfério Norte, essa angulação faz com que o topo do globo permaneça constantemente voltado para o Sol ao longo de todo o movimento de translação.
Diferente do que ocorre em latitudes tropicais, o Sol em Utqiagvik não descreve um arco vertical no céu. Ele realiza um movimento circular e horizontal, "orbitando" a cidade sem nunca mergulhar abaixo da linha do horizonte.
Segundo especialistas, esse comportamento visual é uma das provas físicas de que o planeta Terra é, de fato, redondo. Em um modelo em que o mundo é plano, o Sol teria de se apagar ou desaparecer abruptamente para gerar a alternância entre dia e noite.
Embora a exposição solar seja total, o fenômeno não se traduz em calor. As temperaturas na região raramente ultrapassam a marca dos 0°C. O paradoxo é explicado pela obliquidade dos raios solares. Enquanto na Linha do Equador a radiação atinge o solo de forma direta e concentrada, nos polos os raios chegam inclinados e "espalhados", o que dilui sua capacidade de aquecimento.
A atual abundância de luz antecipa um cenário totalmente oposto. Em novembro, a inclinação terrestre colocará o Alasca na direção contrária ao Sol, iniciando a "noite polar". Serão aproximadamente 65 dias de escuridão absoluta, com termômetros que podem despencar para até -30°C. Além do Alasca, o fenômeno do sol da meia-noite também atinge porções da Rússia, Canadá, Groenlândia e países escandinavos como Noruega e Finlândia.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



