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União Europeia: Espanha ameaça retaliar Itália caso livre circulação não seja retomada

Decisão italiana foi tomada após a entrada em massa de migrantes em Ceuta; país ibérico indica que medida é 'injusta, contrária aos interesses da União Europeia e discriminatória para a população da Espanha'

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Migrantes são escoltados por soldados espanhóis em Ceuta, para retornarem a Marrocos
Migrantes são escoltados por soldados espanhóis em Ceuta, para retornarem a Marrocos • Henry Nicholls/AFP

O governo da Espanha ameaçou impor represálias aos viajantes vindos da Itália, caso o país não suspenda, até domingo (9), os controles de fronteira impostos a viajantes vindos do país ibérico.

A decisão italiana foi tomada após a entrada em massa de migrantes em Ceuta, território espanhol localizado no Norte da África, na semana passada, suspendendo a livre circulação entre os dois países, prevista pelo Acordo de Schengen para todos os países que fazem parte da União Europeia (UE).

Entretanto, o governo espanhol indicou que "as medidas da Itália foram "injustas, contrárias aos interesses da União Europeia e discriminatórias para a população da Espanha", em nota divulgada nesta sexta-feira (7) — ressaltando que nenhum migrante que chegou a Ceuta de forma irregular na semana passada conseguiu entrar livremente no Espaço Schengen.

  • Entenda: o Espaço Schengen é uma  área de livre circulação que reúne 29 países europeus que aboliram os controles em suas fronteiras internas, funcionando como um território único para viagens internacionais com regras de visto comuns.

Horas depois, o governo italiano respondeu afirmando que "não aceitará as exigências extremas da Espanha sobre o controle de fronteiras" e não revisará a decisão de impor controles de fronteira a viajantes provenientes da Espanha até pelo menos 15 de agosto.

A Itália declarou, ainda, que só reconsiderará a decisão quando tiver certeza de que não há riscos à segurança ou terrorismo, nenhuma nova onda migratória e nenhum migrante irregular se dirigindo para o território europeu.

Migrantes que tentam atravessar para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, reúnem-se no topo de uma colina durante confrontos com as forças de segurança marroquinas perto da cidade de Fnideq, na fronteira entre o Marrocos e a Espanha, em 31 de julho de 2026 • Foto por ABDEL MAJID BZIOUAT / AFP
Migrantes que tentam atravessar para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, reúnem-se no topo de uma colina durante confrontos com as forças de segurança marroquinas perto da cidade de Fnideq, na fronteira entre o Marrocos e a Espanha, em 31 de julho de 2026 • Foto por ABDEL MAJID BZIOUAT / AFP

Tensão entre Espanha e Itália

Os dois países discordaram sobre o que fazer com os imigrantes que entraram em Ceuta, durante uma reunião da União Europeia (UE), sobre a crise migratória, na terça-feira (4).

Na ocasião, a Espanha foi contra a uma proposta da Itália para enviar imigrantes ilegais na UE a centros de deportação em países terceiros. A sugestão indicava usar recursos do bloco para financiar centros de deportação em países para onde imigrantes ilegais poderiam ser levados.

Mesmo assim, o comissário da UE responsável pelos assuntos internos e migração, Magnus Brunner, afirmou que a reunião foi importante para confirmar que nenhum dos africanos que entraram em Ceuta chegaram à Europa continental e que o incidente no exclave espanhol foi incitado por redes de tráfico humano campanhas de desinformação nas redes sociais.

Ainda de acordo com Brunner, o continente teve a "resiliência desafiada" com a crise em Ceuta e passou no teste com atuação rápida e solidariedade, e resistiu à desinformação.

No encontro, a Dinamarca, que havia criticado a Espanha anteriormente e defendido a suspensão do país ibérico no Espaço Schengen  mudou de tom e disse estar "muito satisfeita" com a resposta do governo espanhol em Ceuta.

Crise migratória em Ceuta

Uma grave crise migratória atinge Ceuta, exclave espanhol no norte da África, impulsionada por desinformação nas redes sociais, rumores sobre fronteiras abertas e forte pressão de travessias em massa. Imigrantes vindos do Marrocos cruzaram a fronteira, resultando em dezenas de mortes por afogamento e forte tensão política e humanitária. Entenda:

  • 72 mil africanos cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta no final de julho. Até o momento, mais de 100 mortes foram registradas.
  • O episódio marcou a mais recente crise migratória na União Europeia (UE). Mensagens falsas nas redes sociais podem ter estimulado a travessia em massa de jovens e famílias.
  • Autoridades locais estimam que mais de mil crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda.
  • A maioria dos migrantes já iniciou o retorno voluntário ou foi 'devolvida' ao Marrocos, enquanto a Espanha reforçou a segurança local.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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