Itatiaia

Imigrantes menores de idade fazem fila em delegacia para registro policial em Ceuta

Cerca de 1.100 crianças e adolescentes, desacompanhados, chegaram durante o fluxo migratório na semana passada e permanecem na cidade, segundo o governo local; autoridades indicam que 100 pessoas morreram durante a travessia entre Marrocos e Ceuta

Por
Migrantes que tentam atravessar para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, reúnem-se no topo de uma colina durante confrontos com as forças de segurança marroquinas perto da cidade de Fnideq, na fronteira entre o Marrocos e a Espanha, em 31 de julho de 2026
Migrantes que tentam atravessar para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, reúnem-se no topo de uma colina durante confrontos com as forças de segurança marroquinas perto da cidade de Fnideq, na fronteira entre o Marrocos e a Espanha, em 31 de julho de 2026 • Foto por ABDEL MAJID BZIOUAT / AFP

Uma fila de imigrantes menores de idade se formou em frente a uma delegacia de polícia em Ceuta, território autônomo da Espanha localizado no norte da África, para serem registrados nesta quinta-feira (6). Cerca de 1.100 crianças e adolescentes, desacompanhados, chegaram durante o fluxo migratório na semana passada e permanecem na cidade, segundo o governo local.

A legislação espanhola determina que migrantes adultos podem solicitar asilo e, caso o pedido seja negado, ficam sujeitos a procedimentos de expulsão. Por outro lado, menores têm proteção legal especial contra a deportação e devem receber ajuda das autoridades espanholas.

Na terça-feira (4), o governo da Espanha afirmou que está respeitando os direitos fundamentais dos menores de idade e divulgou que deslocou uma verba de 25 milhões de euros (cerca de R$146,5 milhões) para atendê-los. Esses menores de idade representam uma parcela significativa dos três mil a cinco mil migrantes que evitaram a expulsão de Ceuta e seguem no enclave.

O centro de acolhimento para migrantes na cidade, com capacidade para 600 pessoas, está lotado. Nesta quinta-feira (6), as autoridades espanholas atualizaram o número de mortos na travessia entre Marrocos e Ceuta, apontando para mais de 100 óbitos.

Crise migratória em Ceuta

Migrantes são escoltados por soldados espanhóis em Ceuta, para retornarem a Marrocos • Henry Nicholls/AFP
Migrantes são escoltados por soldados espanhóis em Ceuta, para retornarem a Marrocos • Henry Nicholls/AFP

Uma grave crise migratória atinge Ceuta, exclave espanhol no norte da África, impulsionada por desinformação nas redes sociais, rumores sobre fronteiras abertas e forte pressão de travessias em massa. Imigrantes vindos do Marrocos cruzaram a fronteira, resultando em dezenas de mortes por afogamento e forte tensão política e humanitária. Entenda:

  • 72 mil africanos cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta no final de julho.  Até o momento, mais de 100 mortes foram registradas.
  • O episódio marcou a mais recente crise migratória na União Europeia (UE). Mensagens falsas nas redes sociais podem ter estimulado a travessia em massa de jovens e famílias.
  • Autoridades locais estimam que mais de mil crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda.
  • A maioria dos migrantes já iniciou o retorno voluntário ou foi 'devolvida' ao Marrocos, enquanto a Espanha reforçou a segurança local.
Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

Belo Horizonte