Crise migratória: sobe para mais de 100 o número de mortos em tentativa de chegar a Ceuta
Dado foi divulgado pelo governo local; cerca de 72 mil imigrantes entraram a nado no exclave espanhol na semana passada, marcando a mais recente crise migratória na União Europeia (UE)

As mortes de imigrantes durante a travessia por mar entre Marrocos e a cidade de Ceuta, exclave espanhol, na semana passada, subiram para mais de 100 pessoas. A atualização foi anunciada pelo governador local, Juán Jesus Vivas, nesta quinta-feira (6). O episódio marcou a mais recente crise migratória na União Europeia (UE).
Em um novo balanço sobre a crise, Vivas também divulgou que entre três mil e cinco mil imigrantes que entraram na semana passada ainda estão na cidade espanhola. O número é diferente do divulgado no início desta semana pelo Ministério do Interior da Espanha, indicando que haviam cerca de dois mil migrantes remanescentes no exclave no norte da África.
Aproximadamente 72 mil africanos cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta no final de julho, causando uma crise migratória e humanitária no local, além de desistabilizar politicamente a União Europeia que prometeu reforçar as fronteiras.
Após a maioria dos imigrantes serem "devolvidos" para Marrocos, o governo espanhol trabalhava nesta semana para assimiliar os menores de idade que entraram em Ceuta. Cerca de 1.100 crianças e adolescentes desacompanhados chegaram antes e durante o fluxo migratório e permanecem na cidade.
Crise migratória em Ceuta

Uma grave crise migratória atinge Ceuta, enclave espanhol no norte da África, impulsionada por desinformação nas redes sociais, rumores sobre fronteiras abertas e forte pressão de travessias em massa. Imigrantes vindos do Marrocos cruzaram a fronteira, resultando em dezenas de mortes por afogamento e forte tensão política e humanitária. Entenda:
- 72 mil africanos cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta no final de julho. Mensagens falsas nas redes sociais podem ter estimulado a travessia em massa de jovens e famílias.
- Autoridades locais estimam que mais de mil crianças e adolescentes migrantes estejam em Ceuta, sob proteção legal especial contra deportação. Dois centros de acolhimento, um para adultos e outro para menores, entraram em colapso diante da demanda.
- A maioria dos migrantes já iniciou o retorno voluntário ou foi 'devolvida' ao Marrocos, enquanto a Espanha reforçou a segurança local.
A crise também influenciou em uma disputa política dentro da própria União Europeia:
- A Itália suspendeu por um mês a livre circulação com a Espanha no Espaço Schengen, retomando controles em viagens aéreas e marítimas entre os dois países. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a medida e acusou governos europeus de reagirem de forma egoísta e polarizadora.
- Por outro lado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tentou apaziguar as tensões ao agradecer à Espanha pela atuação na crise e afirmar que Madri agiu de forma eficiente para impedir o deslocamento dos migrantes para a Europa continental. Ela também defendeu que o bloco faça mais para reforçar pontos críticos de suas fronteiras externas, com maior vigilância, barreiras físicas e apoio da Frontex.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



