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Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU?

País é responsável oficialmente pela abertura do maior evento diplomático do mundo desde 1955; Itamaraty divulgou que Lula deve defender a soberania nacional e pedir que os Estados Unidos não interfiram nas eleições

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Presidente Lula durante discurso da 80ª Assembleia Geral da ONU, em 2025
Presidente Lula durante discurso da 80ª Assembleia Geral da ONU, em 2025 • Ricardo Stuckert / PR

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), desembarcou em Nova York, nos Estados Unidos, na noite desse domingo (20), para a Assembleia Geral da ONU. Seguindo uma tradição diplomática, o brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar na 81ª edição do maior evento diplomático do mundo, que acontece entre os dias 22 e 28 de setembro.

Desde 1955, o Brasil firmou-se como o país responsável pela a abertura da Assembleia Geral. Em comunicado à imprensa, o Itamaraty divulgou que, durante a fala neste ano, Lula deve defender a soberania nacional e pedir que os Estados Unidos não interfiram nas eleições do país.

Apesar das críticas recentes ao governo de Donald Trump, o presidente brasileiro não deve citá-lo nominalmente durante o discurso. Também é previsto que Lula defenda as instituições e rejeite interferências estrangeiras em assuntos domésticos. A fala ainda deve tratar o cenário internacional, com a defesa de negociações de paz.

Outros temas que devem ser citados durante o discurso são: avanço da corrida armamentista; disputa internacional pelo controle de recursos naturais estratégicos; COP30 e regulação das plataformas digitais.

Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU?

A tradição de o Brasil abrir o Debate Geral da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas é um dos exemplos mais longevos de direito costumeiro internacional — prática repetida e aceita como norma, sem necessidade de previsão escrita na Carta da ONU.

Logo após a fundação da Organização das Nações Unidas, em 1945, as grandes potências globais, como Estados Unidos e União Soviética, hesitavam em abrir os debates anuais. No contexto inicial da Guerra Fria, discursar primeiro era visto como um risco político, pois poderia expor posições estratégicas antes de ouvir os rivais.

Em 1947, o diplomata e político brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a Primeira Sessão Especial da Assembleia Geral — ocasião em que se votou o Plano de Partilha da Palestina. Na ocasião, a delegação brasileira se voluntariou para discursar primeiro e destravar o debate.

Na foto, o diplomata e político brasileiro Oswaldo Aranha na ONU, em 1947 • Bettmann / Bettmann Archive
Na foto, o diplomata e político brasileiro Oswaldo Aranha na ONU, em 1947 • Bettmann / Bettmann Archive

O país continuou assumindo o primeiro discurso nas reuniões subsequentes. A prática foi se repetindo até se transformar em costume aceito por todos os membros a partir de 1955 — ano em que, sob a gestão do Secretário-Geral Dag Hammarskjöld, o protocolo da ONU consolidou essa prática como regra oficial de praxe.

Desde então, ficou estabelecido que o Brasil discursaria em primeiro lugar, seguido imediatamente pelos Estados Unidos (por ser o país-sede da sede da ONU em Nova York).

Estrutura do protocolo de abertura

  • Abertura institucional: Secretário-Geral da ONU apresenta o relatório sobre o estado do mundo, seguido pelo discurso do Presidente da Assembleia Geral.
  • Brasil: primeiro Estado-membro a discursar, mantendo a tradição histórica.
  • Estados Unidos: segundo país a discursar, por condição de país-sede do quartel-general da ONU em Nova York.
  • Demais Nações: a ordem subsequente é definida pelo Secretariado com base em três critérios:
    • Nível de representação: chefes de Estado (presidentes/reis) têm prioridade sobre Chefes de Governo (primeiros-ministros), que por sua vez antecedem Ministros das Relações Exteriores.
    • Ordem de inscrição: antiguidade e preferência no momento da solicitação de fala.
    • Equilíbrio geográfico: alternância entre continentes ao longo do dia.

81ª Assembleia Geral da ONU

A 81ª Assembleia Geral da ONU acontece entre os dias 22 e 28 de setembro de 2026, em Nova York, nos Estados Unidos. Lideranças dos 193 Estados-membros farão declarações expondo as próprias posições e prioridades diante de desafios globais complexos e interligados.

O tema do debate este ano será: “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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