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Chefe da ONU lamenta recusa dos EUA em conceder vistos a dirigentes palestinos para Assembleia Geral

Presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) não poderá viajar a Nova York pelo segundo ano seguido; Washinton 'justifica' medida acusando palestinos de não cumprirem compromissos assumidos com os EUA

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Assembleia Geral da ONU realizada em 2023
Assembleia Geral da ONU realizada em 2023 • TIMOTHY A. CLARY/Timothy A. Clary - 18.set.23/AFP

Os Estados Unidos negaram o visto de entrada ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para que ele participe da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começa na próxima semana, em Nova York.

Em contrapartida, o secretário-geral da ONU, António Guterres, "lamenta profundamente" a decisão de Washington, informou o porta-voz da autoridade nesta sexta-feira (18). É o segundo ano consecutivo em que os EUA tomam a decisão de não conceder um visto a Abbas.

"O secretário-geral está preocupado com o impacto dessa decisão sobre a capacidade do Estado da Palestina de participar plenamente dos trabalhos das Nações Unidas", acrescentou o porta-voz, identificado como Stéphane Dujarric.

A medida estadunidense foi anunciada nessa quinta-feira (17), quando Departamento de Estado do país divulgou que não concederia vistos à delegação palestina, em "protesto" contra a falta de reformas por parte dos palestinos. Assim, apenas os representantes da missão palestina da ONU poderão participar o encontro.

Em resposta à decisão, os Estados-membros da Assembleia Geral da ONU aprovaram, ainda na quinta-feira (17), uma resolução que autoriza o presidente da Autoridade Palestina a discursar no evento, por meio de um vídeo pré-gravado.

Segundo o texto, aprovado por 152 votos a favor, três contrários — Estados Unidos, Paraguai e Israel — e quatro abstenções, Mahmoud Abbas também poderá participar por videoconferência de qualquer reunião pertinente organizada na próxima semana na sede da ONU.

EUA 'justificam' visto negado

Washington acusa Abbas de descumprir "compromissos em favor da paz no Oriente Médio" e de adotar "ações" destinadas a internacionalizar o conflito israelense-palestino, especialmente por meio do Tribunal Penal Internacional (TPI) e da Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina "busca contornar as negociações" de paz ao solicitar um reconhecimento unilateral e continua fazendo "pagamentos a terroristas" e glorificando "atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e nos livros didáticos".

Essa posição coloca os Estados Unidos em uma posição contrária à de vários países, entre eles a França, que no ano passado reconheceu a existência do Estado da Palestina, elevando para 142 o número de Estados-membros da ONU que se manifestaram no mesmo sentido.

O que é a Autoridade Palestina?

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) é o órgão de autogoverno provisório criado em 1994, decorrente dos Acordos de Oslo firmados entre a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e o governo de Israel.

O objetivo original do órgão era gerir a administração civil e a segurança interna de partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza enquanto se buscava um acordo de paz definitivo.

Desde que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas de 2006 e assumiu o controle da Faixa de Gaza, a Autoridade Palestina deixou de exercer o controle sobre o território.

Na prática, a administração ficou concentrada em partes da Cisjordânia.

• Reprodução/Canva
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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