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Coreia do Norte vai pagar US$ 32,5 milhões por destruir escritório em 2020, decide tribunal

Prédio em Kaesong foi destruído por Pyongyang após acusações contra Seul durante período de forte tensão entre os países

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O secretário-geral reeleito do partido governante da Coreia do Norte, Kim Jong Un • Arquivo

Um tribunal da Coreia do Sul determinou nesta quarta-feira (16) que a Coreia do Norte pague 44,6 bilhões de won, o equivalente a cerca de US$ 32,5 milhões, pela destruição de um escritório de ligação entre os dois países em 2020.

A decisão do Tribunal Distrital Central de Seul tem caráter simbólico, já que não há um mecanismo claro para obrigar Pyongyang a cumprir a determinação em meio à deterioração das relações diplomáticas entre os dois países.

O processo foi aberto pelo governo sul-coreano em 2023 e é o primeiro caso em que a Coreia do Sul processa diretamente o governo norte-coreano. Seul classificou a destruição do prédio como um ato ilegal que violou acordos anteriores e prejudicou a confiança entre os dois países.

Por que a Coreia do Norte destruiu o prédio?

O escritório de ligação ficava na cidade fronteiriça de Kaesong, na Coreia do Norte, e havia sido construído pela Coreia do Sul como um canal de comunicação entre os dois governos.

Em junho de 2020, a Coreia do Norte explodiu o prédio após acusar Seul de não impedir que desertores norte-coreanos enviassem panfletos contra o regime por meio de balões.

O imóvel estava vazio na época. As atividades haviam sido suspensas meses antes, quando a Coreia do Norte fechou suas fronteiras devido à pandemia de covid-19.

A destruição ocorreu em um período de impasse nas negociações sobre o programa nuclear norte-coreano com os Estados Unidos. As conversas entre Pyongyang e Washington haviam perdido força após uma cúpula entre Kim Jong Un e o então presidente americano Donald Trump, em 2019.

Como estão as relações entre as duas Coreias?

As relações entre Coreia do Norte e Coreia do Sul se deterioraram nos últimos anos. O líder norte-coreano, Kim Jong Un, interrompeu iniciativas de diálogo com Seul e passou a classificar o país vizinho como seu inimigo mais hostil.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte ampliou seu programa nuclear e estreitou relações com Rússia e China. O governo de Pyongyang também enviou tropas e armas para apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia, segundo autoridades e informações divulgadas pela Associated Press.

Na Coreia do Sul, o governo do atual presidente Lee Jae Myung adotou uma postura mais voltada à retomada do diálogo com o Norte. Até o momento, porém, Pyongyang não respondeu aos apelos para a retomada das negociações.

O Ministério da Unificação da Coreia do Sul afirmou que respeita a decisão judicial e defendeu a retomada das conversas entre os dois países para que as questões pendentes sejam tratadas por meio de diálogo e cooperação.

Tribunal também condena pessoas por voos de drones

No mesmo dia, o tribunal sul-coreano condenou três pessoas a penas de prisão suspensas por terem realizado voos de drones em direção à Coreia do Norte em diferentes ocasiões entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

A Justiça considerou que os voos violaram as leis sul-coreanas de segurança aérea. As ações provocaram reação de Pyongyang, que acusou o país vizinho de violar sua soberania e ameaçou responder.

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