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ONGs pró-Palestina receberão US$ 1 milhão de Macklemore após expulsão de turnê de Ed Sheeran

Rapper estadunidense era convidado de abertura e foi expulso após gritar 'Free Palestine' (Palestina livre, em tradução livre) durante shows em Nova York; outros três artistas e uma banda declararam que não vão mais participar da turnê e apoiaram Macklemore

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Há anos o artista se posiciona sobre o tema, seja em publicações nas redes sociais ou na vida real, em shows
Há anos o artista se posiciona sobre o tema, seja em publicações nas redes sociais ou na vida real, em shows • Reprodução/Redes Sociais

Posicionamentos e convicções geopolíticas transformaram a turnê do cantor britânico Ed Sheeran. Três artistas e uma banda abandonaram as respectivas participações após o rapper Macklemore ser afastado por ter se manifestado a favor da Palestina em dois shows nos Estados Unidos, no úlitmo fim de semana. Na quarta-feira (16), ele anunciou que doará o salário recebido pela turnê — US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões na cotação atual) — para Organizações Não Governamentais (ONGs) pró-Palestina.

Um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) apontou, em junho deste ano, que Israel alvejou crianças deliberadamente na Faixa de Gaza. A comissão indicou que as práticas ocorridas no território se configuram como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Ainda de acordo com o relatório, cerca de 30% dos 73 mil mortos na guerra em Gaza eram crianças, o que corresponde a, aproximadamente, 20 mil vítimas em números absolutos.

Macklemore era convidado de abertura da turnê "Loop" pelos Estados Unidos. No dia 4 de setembro, o rapper americano se apresentava no MetLife Staduim, em Nova Jersey, e gritou "Free Palestine" (Palestina livre, em tradução literal). Na ocasião, ele também afirmou querer que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.

Há anos o artista se posiciona sobre o tema, seja em publicações nas redes sociais ou na vida real, em shows.

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As declarações motivaram uma petição do Conselho Israelense-Americano (Israeli American Coucil), solicitando a exclusão do rapper da turnê. Em seguida, a Messina Touring Group, promotora responsável pela etapa nos Estados Unidos da turnê de Ed Sheeran, informou à revista Rolling Stone que Macklemore não faria os shows das datas restantes.

No comunicado, a empresa indicou que foram "informados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que eles não permitirão a realização dos shows com Macklemore no line-up. Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de apoio".

O rapper estava escalado para abrir oito dos dez shows restantes da turnê pelo país. As cidades com locais de apresentação que teriam se oposto ao retorno de Macklemore incluem Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa.

Macklemore e Ed Sheeran se pronunciam

Na segunda-feira (14), Macklemore divulgou um comunicado sobre a saíde dele da turnê. No texto, ele reitera não ser uma vítima: "Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo tudo. Quaisquer que seja as consequência que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos", escreveu.

Por outro lado, Ed Sheeran afirmou que a decisão partou da promotra da turnê, a Messina Touring Group. Na ocasião, o posicionamento do cantor britânico gerou críticas sobre a falta de uma opinião clara sobre o conflito envolvendo o território palestino. "Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que não as tenho, e não significa que não me importe", escreveu.

Artistas anunciam saída de turnê por contra própria

Na terça-feira (15), os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, além da banda Beoga, declararam que não vão mais abrir os shows de Ed Sheeran. Agora, o artista britânico não possui nenhum cantor para a abertura da turnê, que tem datas previstas até o dia 11 de dezembro.

Juntos à decisão de cancelamento, os três cantores e banda manifestaram apoio à causa palestina. "Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão", escreveu Finneas nas redes sociais. Veja o pronunciamento dos outros artistas:

  • "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira", afirmou Graham.
  • "Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta", disse Rowe.
  • "Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser", publicou a banda Beoga.

Atuação de Israel em Gaza

Conflitos entre Isarel e Palestina, especialmente a disputa territorial, são registrados desde o final do século XIX. Mais recente, em 7 de outubro de 2023, o grupo Hamas lançou um ataque suspresa contra o Sul de Israel, a partir da Faixa de Gaza — iniciando a fase mais aguda e destrutiva do conflito em décadas.

Na ocasião, 1.221 pessoas foram mortas em solo israelense e aproximadamente 250 pessoas foram sequestradas para o interior de Gaza. O governo de Israel declarou estado de guerra, estabelecendo como metas a destruição das capacidades militares e governamentais do Hamas e o resgate de todos os reféns.

Desde então, mais de 71 mil palestinos foram mortos na campanha militar israelense de retaliação, segundo o Ministério de Saúde de Gaza. Após anos deste conflito, com inúmeros ataques e bombardeios comandados por Israel sob a justificativa de "retaliação", um plano de cessar-fogo em Gaza entrou em vigor em outubro do ano passado.

Entretanto, a "trégua" é extremamente frágil. Desde o início do acordo, mais de 100 crianças morreram na Faixa de Gaza, segundo dados da agência da ONU para a Infância (Unicef). O número equivale a uma morte por dia durante a trégua.

Políticos israelenses seguem divulgando o desejo de prender e condenar palestinos (considerados terroristas). No dia 20 de agosto de 2026, o ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, divulgou a construção de um centro de enforcamento para executar condenados à pena de morte.

O anúncio acontece meses após o Parlamento aprovar uma lei que impõe pena capital a palestinos condenados em tribunais militares por atos de terrorismo. Em um vídeo, o ministro do governo de Benjamin Netanyahu mostrou o local, afirmando que será onde "os terroristas serão executados". "Corda de enforcamento, cabine de observação, para que as vítimas do crime possam vir e assistir, [como] nos Estados Unidos", descreveu Itamar Ben-Gvir.

Dias antes da publicação, o ministro defendeu a morte de "30 a 40" pessoas por noite na Faixa de Gaza. A declaração foi divulgada em uma entrevista ao podcast israelense Rom Braslavski, ex-refém do Hamas, e foi amplamente divulgada por veículos palestinos.

Durante a fala, Itamar Ben-Gvir chegou a dizer que moradores em Gaza "sequer são pessoas". Quando fez o comentário, o minstro, que integra a coalização do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, criticava a redução dos ataques israelenses no território palestino quando fez o comentário.

"Acho que devem ser realizadas execuções seletivas em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites. Não apenas quem representa uma ameaça imediata. Há pessoas lá que não merecem viver. Elas não deveriam viver. Nem sequer são pessoas", disse.

Destruição em Gaza • Mohammed Saber/Agência Lusa/Direitos Reservados/Divulgação
Destruição em Gaza • Mohammed Saber/Agência Lusa/Direitos Reservados/Divulgação
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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