Itatiaia

Às vésperas da ONU, Itamaraty indica foco de Lula no multilateralismo

Agenda de Lula em Nova York será concentrada em dois dias; Itamaraty sinaliza prioridades para discurso de Lula na ONU e evita antecipar temas sensíveis

PorBrasília
Aline Pessanha/ Itatiaia Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve aproveitar a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas para reforçar a defesa do multilateralismo, da solução negociada para conflitos internacionais e da reforma da governança global.

A sinalização foi dada nesta quarta-feira (16) pelo secretário de Assuntos Multilaterais e Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey, durante coletiva de imprensa sobre a viagem presidencial a Nova York.

Sem antecipar o conteúdo definitivo do pronunciamento, o diplomata afirmou que a expectativa do governo é de que Lula mantenha as linhas tradicionais da política externa brasileira, especialmente em um cenário internacional marcado pelo aumento de conflitos e pelo enfraquecimento dos mecanismos de cooperação entre os países.

Discurso deve reforçar defesa da paz e do direito internacional

Segundo Cozendey, a expectativa do Itamaraty é que Lula destaque quatro pilares durante o discurso de abertura da Assembleia Geral:

  • defesa do multilateralismo;
  • fortalecimento da Organização das Nações Unidas;
  • solução negociada para conflitos internacionais;
  • respeito ao direito internacional e à não interferência nos assuntos internos dos Estados.

O embaixador lembrou que o tema escolhido para esta edição da Assembleia Geral é "Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos", assunto que deve dialogar diretamente com a posição defendida pelo Brasil.

Temas como tarifas e eleições ainda não estão definidos

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de Lula abordar temas como tarifas comerciais, eleições ou possíveis interferências externas, Cozendey evitou antecipar o conteúdo do pronunciamento.

Segundo ele, embora o Itamaraty prepare uma proposta de discurso, a palavra final é sempre do presidente da República, que costuma revisar e alterar o texto até momentos antes da fala oficial.

A declaração indica que temas de maior sensibilidade política ainda estão em avaliação e dependerão da decisão do próprio chefe do Executivo.

Agenda será curta e concentrada em Nova York

Lula embarca para os Estados Unidos no próximo domingo (20). Na segunda-feira (21), terá espaço na agenda para reuniões bilaterais, ainda em definição.

Na terça-feira (22), o presidente participa da abertura da Assembleia Geral da ONU, mantendo a tradição de o Brasil ser o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos.

Logo após o pronunciamento, Lula retorna ao Brasil.

Sem reunião marcada com Donald Trump

Durante a coletiva, o Itamaraty também informou que não há, até o momento, reunião bilateral prevista entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Cozendey, ambos devem participar dos mesmos eventos na ONU, mas nenhum encontro oficial foi confirmado.

Após o retorno de Lula, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York para cumprir a agenda diplomática brasileira.

Entre os compromissos previstos estão reuniões da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da CELAC, do Conselho de Segurança da ONU e encontros voltados à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e à Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), atualmente presidida pelo Brasil.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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