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População evangélica é majoritariamente de direita e conservadora no Brasil, aponta pesquisa

Apesar disso, grande parte dos entrevistados afirmaram nunca ter votado em indicações de pastores ou líderes religiosos

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Bíblia • Karoline Barreto/CMBH

A população evangélica – que representa 47,4 milhões de brasileiros –, muitas vezes caricaturizada no debate público, tem nuances políticas e rejeita, majoritariamente, a relação entre púlpito e eleições, apesar de ser em grande parte declaradamente de direita e conservadora nas pautas de costumes.

A demonstração é da Pesquisa Evangélica Nacional de 2026, realizada pela Valentes Intel, divulgada nesta semana. O levantamento ouviu quase 15 mil evangélicos nas 27 unidades da federação durante 43 dias de coleta e traçou panoramas que são caros à população protestante no Brasil.

De acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2010 e 2022, a proporção de católicos apostólicos romanos na população de 10 anos ou mais registrou uma redução de 8,4 pontos percentuais, caindo de 65,1% para 56,7%. Simultaneamente, o número de evangélicos cresceu 5,2 pontos percentuais, saindo de 21,6% para 26,9% da população.

Conforme o levantamento, do total de entrevistados, 74,8% dos evangélicos se definem como à direita no espectro político, ao passo que 10,3% se consideram à esquerda. Outros 9,2% são de centro, enquanto 5,7% não souberam responder ou não se posicionam politicamente.

A dominância de pautas ligadas à direita também é demonstrada no recorte feito pelos pesquisadores nos costumes – 67,8% são contra o casamento entre pessoas do mesmo gênero e 70% defendem a criminalização da maconha. Por outro lado, 85,7% defendem direitos iguais para homens e mulheres e 78,3% dos entrevistados consideram que ciência e fé se complementam.

A pesquisa também identificou diferenças geracionais na identificação política. Entre os mais jovens, há menor polarização com os campos tradicionais de direita e de esquerda. À medida que a idade avança, cresce a identificação com a direita.

Outro ponto é o papel do Estado. A maior parcela dos entrevistados defendeu que ele deve ser “reduzido ao mínimo”, enquanto 34,5% argumentaram que o governo deve ser “forte e presente”. No entroncamento entre fé e política, a maior parte dos evangélicos afirmou nunca ter votado em indicações de pastores ou líderes religiosos (71,2%), enquanto 22,6% admitiram tê-lo feito em eleições anteriores.

As prioridades no momento do voto também são distintas – 32,6% disseram considerar, principalmente, aspectos econômicos das propostas dos candidatos, 25,5% levam em consideração a defesa dos “valores cristãos” e 18% a defesa de valores morais e de costumes. Ainda, 16,8% elencam o combate à corrupção como prioridade.

Por fim, a pesquisa aponta que 64,5% dos evangélicos levam “muito” em consideração a fé em suas escolhas políticas, 15,9% “um pouco”, 12,8% “nada” e 6,8% “pouco”.

“Esta pesquisa oferece à igreja brasileira a oportunidade de se enxergar a partir de dados. Mais do que confirmar percepções, ela nos ajuda a compreender melhor quem são os evangélicos hoje, como vivem a fé, quais valores carregam e como se relacionam com as transformações da sociedade. Conhecer essa realidade é fundamental para que igrejas, lideranças e organizações possam servir de maneira cada vez mais consciente e conectada às pessoas”, afirma Daniel Caldeira Portugal, CEO do Instituto Valentes Intel.

Pesquisa

A Pesquisa Evangélica Nacional 2026 é um levantamento quantitativo, transversal e auto aplicado, realizado por meio de questionário estruturado on-line e participação voluntária.

A base final reúne 14.933 respondentes autodeclarados evangélicos, após os processos de filtragem e validação dos dados. A pesquisa contou com 44 questões distribuídas em sete seções, abordando fé e prática religiosa, atitudes e valores, consumo, rotina, política, perfil demográfico e engajamento.

Os resultados foram ponderados pelo método de Raking (IPF), com calibração por sexo, região, escolaridade, renda e raça/cor. Foram utilizados como referência o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a PNAD Contínua 2024.

Por

Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.

 

 

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