Furacão Polo se intensifica e deixa o México em estado de alerta
Fenômeno cresce rapidamente em meio ao 'super El Niño' e ameaça a costa mexicana com chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra

O furacão Polo atingiu, nessa terça-feira (22), a categoria 5, nível máximo na Escala Saffir-Simpson, tornando-se uma das tempestades de intensificação mais rápida na história do oceano Pacífico. A tempestade ameaça a costa do México com chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra.
Segundo o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC), o Polo alcançou ventos sustentados de 270 km/h na noite de terça-feira, o que o coloca no nível máximo de severidade e com alto potencial destrutivo.
Nas próximas horas, a previsão indica que o sistema continue a se deslocar para o noroeste, avançando em paralelo ao litoral mexicano.
Essa trajetória deve evitar, por enquanto, um impacto direto do olho da tempestade sobre as populações costeiras. No entanto, sua aproximação já coloca os estados de Guerrero, Michoacán, Colima e Jalisco em alerta máximo para o risco de alagamentos e deslizamentos de terra nas regiões de encosta.

O Serviço Meteorológico Nacional do México (SMN) alertou em comunicado que "as chuvas geradas por este sistema podem provocar deslizamentos de terra, elevação dos níveis de rios e córregos, bem como transbordamentos e inundações em áreas baixas dos Estados mencionados". Por isso, a recomendação da instituição é que a população permaneça atenta aos avisos e siga as orientações da Defesa Civil.
Segundo o NHC, embora a evolução da trajetória do furacão seja próxima à costa mexicana, ainda é incerto o quão próximo ele chegará.
As aulas em municípios do litoral de Guerrero e Michoacán foram suspensas na terça (22) e nesta quarta (23).
Em uma coletiva matinal, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu aos seus cidadãos: "Por favor, toda a população da costa do Pacífico deve permanecer muito atenta. Até agora, são chuvas intensas... Não parece que vá atingir a terra diretamente"
Intensificação rápida
Meteorologistas destacaram que o furacão Polo se intensificou, de sua classificação como tempestade tropical até a categoria 5, em cerca de 36 horas. A rapidez o coloca entre os três fenômenos que mais rapidamente se fortaleceram até a categoria máxima, ao lado dos furacões Otis (2023) e Patricia (2015).
E assim como o caso do furacão Patrícia, o Polo chega impulsionado pela presença do fenômeno El Niño, que será um dos mais intensos já registrados, segundo os climatologistas.
O El Niño, ou "Super El Niño", como está sendo chamado devido à sua força, devem provocar mudanças importantes nos padrões climáticos em todo o mundo. Em 19 de setembro, as temperaturas da superfície do mar na região do Pacífico centro-oriental registraram 3,05°C acima da média, superando o recorde anterior de 3,02°C estabelecido durante o fenômeno em 2015.
As consequências do El Niño
A força atual do El Niño já gera impactos ao redor do mundo, embora especialistas ressaltam que cada evento é único.
O chefe de previsão de longo prazo do Serviço Meteorológico do Reino Unido, Adam Scaife, afirma que "os cientistas ainda estão avaliando se os impactos serão proporcionais à sua magnitude, mas já estamos observando os efeitos previstos em todo o mundo".
O fenômeno altera os padrões climáticos ao elevar a probabilidade de tempestades e inundações em determinadas regiões, ao mesmo tempo em que intensifica secas e incêndios florestais em outras.
Devido às alterações nos ventos de alta altitude, o oceano Atlântico bateu o recorde de maior período sem registrar seu primeiro furacão do ano desde o início do monitoramento por satélite.
O oposto ocorre no Pacífico, onde a formação de furacões tende a aumentar. O território do Havaí e algumas regiões do Sudeste Asiáticos foram altamente afetados por tempestades.
O cenário amplia ainda o risco de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos, enquanto agrava a ameaça de estiagem e queimadas no Brasil, na Austrália e na Indonésia. A incidência desses eventos extremos ameaça diretamente o rendimento das colheitas, a segurança alimentar e as economias globais.
Mariane Castro é estudante de jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Tem interesse nas áreas de cultura e pesquisa em jogos digitais e já atuou na Assessoria de Imprensa da UFMG. Atualmente, é estagiária de Minas, Brasil e Mundo na Rádio Itatiaia.



