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Em meio a briga de Simões e Aro, Damião declara apoio às campanhas de ambos

Prefeito de BH é o presidente estadual da federação entre União Brasil e PP, legendas envolvidas na celeuma entre o governador e o ex-secretário de Governo

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Álvaro Damião apoia Aro ao Senado e Simões ao Governo • Rodrigo Clemente/PBH

O prefeito de Belo Horizonte e presidente estadual da federação de União Brasil e PP, Álvaro Damião (União Brasil), declarou apoio em Marcelo Aro (PP) na disputa por uma vaga no Senado e em Mateus Simões (PSD) na campanha pelo Governo de Minas. A dupla vive um momento de ruptura com ataques de ambas as partes proferidos em entrevistas na última semana.

 

Em entrevista coletiva na reabertura da Praça do Papa, em BH, nesta sexta-feira (7), Damião falou sobre a postura da federação batizada como ‘União Progressista’ nas eleições de Minas em meio ao clima beligerante entre Simões e Aro.

 

“Eu quero vê-lo senador por tudo que ele fez e faz por mim na Câmara de Vereadores com os vereadores que lá são da ‘Família Aro’. Então nós sempre tivemos uma parceria. Aro é o nosso candidato ao Senado, ele vai ter o apoio do prefeito de Belo Horizonte, do União Brasil e do PP na construção dessa cadeira que ele tanto sonha em alcançar. Ao governador Mateus Simões é um reconhecimento também de muitas coisas que foram feitas por Belo Horizonte. Se tem uma coisa que eu sou, é grato, se tem uma coisa que eu detesto é ingratidão. Eu abomino a ingratidão [...] por gratidão ao que o governo do estado fez por Belo Horizonte nesses dois anos em  que eu sou prefeito da cidade, nós vamos apoiar o governador Mateus Simões e vamos apoiar o senador Marcelo Aro”, declarou.

 

Marcelo Aro foi secretário da Casa Civil e de Governo durante o segundo mandato de Romeu Zema (Novo) e na gestão de Mateus Simões à frente do Governo de Minas. A parceria dos últimos três anos e meio foi estremecida com a aproximação do período eleitoral. 

 

O arranjo inicial seria que Simões seria candidato à reeleição com Aro sendo o candidato único ao Senado em uma coligação que uniria o PSD do governador e a federação União Progressista, da qual o secretário faz parte. 

 

No entanto, a chegada do senador e candidato à reeleição Carlos Viana ao PSD deixou a relação desconfortável. Sem o espaço único para ser candidato ao Senado na chapa, Aro começou a articular alianças com outros partidos, inclusive para ser candidato ao Governo de Minas contra Simões.

 

Em 30 de julho, em meio às movimentações de bastidores, Simões anunciou a saída do grupo político de Aro do Governo de Minas e chamou seu ex-secretário de traidor, além de afirmar que ele ‘parasitou’ a administração do estado em benefício próprio

 

Em entrevista à Itatiaia nesta sexta, Aro contra-atacou. “Ele confunde lealdade com subserviência, eu não serei subserviente”, disse Aro, que classificou Simões como alguém ”extremamente arrogante e antipático”.

 

No imenso cenário de reviravoltas que se tornou a pré-campanha em Minas, após a cisão, Aro voltou atrás da tentativa de concorrer ao Governo, ainda ensaia uma aproximação com o Republicanos e advoga pela candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao Executivo Estadual

 

No desenho atual, a federação União Progressista decidiu apoiar a campanha de Mateus Simões e lançará Aro ao Senado em uma campanha isolada, assim como o Novo fará com Superman e o PSD fará com Carlos Viana.

 

Nesta sexta, Damião também falou sobre as movimentações de Aro para buscar o Governo de Minas e tratou o movimento como algo natural.

 

“Foi criado um momento em que se poderia construir uma candidatura para governo do estado. E nada mais justo que aquele que é candidato ao Senado possa construir uma candidatura para governador. E nós, no nosso partido ou na nossa federação, tanto no União Brasil quanto no PP, nós não tínhamos um candidato a governador. Se apareceu alguém dentro da chapa querendo essa construção, nós temos que apoiar e foi o que nós fizemos, nós apoiamos a construção. Só que essa construção não foi da forma acho acho como ele imaginava, com todos os partidos que ele queria envolver para ele poder ser candidato ao governo. Então, nós fizemos o quê? Nós voltamos de onde a gente começou”, comentou o prefeito de BH.

 

A própria relação entre Damião e a ‘Família Aro’ foi construída entre idas e vindas desde que o prefeito chegou ao comando da capital. Em janeiro de 2025, o então vice-prefeito foi derrotado na disputa pela presidência da Câmara Municipal pelo grupo do ex-secretário de Governo de Zema e pessoalmente atacado por aliados de Aro. Ao longo dos meses seguintes, a relação foi apaziguada e uma aliança foi construída.

 

Por

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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