Irã prepara novo regime de navegação no estreito de Ormuz se guerra acabar
Mais cedo cerca de 40 nações exigiram a reabertura imediata da passagem marítima, considerada uma via estratégica para economia mundial

O Irã prepara um projeto de protocolo para estabelecer um novo regime de navegação no Estreito de Ormuz em “tempos de paz”. Teerã planeja iniciar conversas com Omã para desenvolver uma solução conjunta. Os planos foram divulgados pelo vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, à Sputnik.
"A minuta deste protocolo encontra-se atualmente na fase final de preparação. Assim que estiver pronta, iniciaremos as negociações com Omã para que possamos elaborar um protocolo conjunto", disse Gharibabadi.
De acordo com o chefe do Conselho de Informação do Governo iraniano, Elias Hazrati, o plano regularia o uso do estreito por países árabes, asiáticos e até por certos países europeus. A alta autoridade do Irã também destacou a coesão do país para que o povo se una diante do “confronto com os Estados Unidos e Israel.”
"Em tais circunstâncias, é possível avançar para o desenvolvimento e criação de um mecanismo regional e internacional chamado pacto de Ormuz, que será formado levando em conta a República Islâmica do Irã e com a participação dos países da região, países asiáticos, países árabes e até mesmo alguns atores europeus que usam esse caminho estratégico", disse Hazrati.
Ainda conforme o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, em tempos de paz, todas as embarcações que passarem pelo Estreito de Ormuz deverão ter todos os acordos necessários com os estados costeiros - Irã e Omã. Com isso, eles terão que solicitar as permissões e licenças necessárias com antecedência, acrescentou o diplomata.
Gharibabadi assegurou que essa estratégia vai garantir a segurança do estreito, com o Irã e Omã sendo responsáveis por isso. Ainda segundo o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, os requisitos não serão aplicados na forma de restrições, mas sim com o objetivo de facilitar o tráfego e garantir a passagem segura dos navios, além de fornecer serviços às embarcações que desejam atravessar o Estreito de Ormuz sem problemas.
Mais cedo, cerca de 40 nações exigiram a reabertura imediata e incondicional do Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (2). O apelo ocorreu ao final de uma cúpula virtual organizada pelo Reino Unido, onde a ministra das Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, acusou o Irã de tentar tomar a economia mundial como "refém" ao bloquear a estratégica via marítima.
De acordo com Cooper, os países parceiros não permitirão que tal estratégia prevaleça e já concordaram em explorar medidas políticas e econômicas severas, incluindo a imposição de novas sanções contra Teerã.
O encontro foi impulsionado pela pressão direta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem instado as nações dependentes do transporte marítimo na região a se mobilizarem pelo desbloqueio. Na última quarta-feira, Trump afirmou que a responsabilidade de cuidar da passagem cabe aos países que recebem petróleo através dela, ressaltando que um cessar-fogo só será considerado quando o estreito estiver totalmente livre e desimpedido para a navegação.
A crise teve origem em 28 de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana fechou o estreito aos seus inimigos, paralisando uma rota por onde transita um quinto das exportações mundiais de petróleo.
Esse bloqueio, classificado por Cooper como uma "imprudência" que ameaça a segurança econômica global, gerou uma disparada nos preços dos hidrocarbonetos com reflexos em todo o planeta. Enquanto Reino Unido e aliados condenam as ações iranianas, a China sustenta que a causa principal do bloqueio são os ataques "ilegais" realizados pelos americanos e israelenses.
No âmbito humanitário, representantes de Itália, Países Baixos e Emirados Árabes Unidos defenderam a criação urgente de um corredor para o transporte de fertilizantes e suprimentos essenciais, visando evitar uma nova crise alimentar, especialmente no continente africano.
Em paralelo, o esforço militar ganha corpo: Londres presidirá na próxima semana uma reunião com planejadores militares de 37 países signatários de um manifesto de segurança — grupo que inclui Japão, Chile e Panamá, mas exclui potências como China e os próprios Estados Unidos, além da Espanha.
Apesar da mobilização, o caminho para uma solução militar ou diplomática permanece obstruído por divergências estratégicas. A França, por exemplo, condiciona a segurança da via ao fim da fase intensa de bombardeios, enquanto o governo Trump mantém críticas frequentes à falta de apoio de aliados da Otan.
No Conselho de Segurança da ONU, um apelo do Conselho de Cooperação do Golfo para o uso da força enfrenta forte resistência. Um projeto de resolução sobre o tema divide o órgão, com Rússia, China e França apresentando objeções contundentes ao uso do poder militar para liberar a passagem.
Com informações de AFP
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



