Houthis anunciam bloqueio naval à Arábia Saudita e ameaçam rota estratégica do petróleo
Grupo rebelde apoiado pelo Irã afirma que medida entra em vigor imediatamente e amplia tensão no Oriente Médio; ONU alerta que ameaça à liberdade de navegação pode desencadear uma escalada regional ainda maior

Os rebeldes houthis, do Iêmen, anunciaram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita, ampliando a tensão no Oriente Médio em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A medida ameaça uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo e acende um alerta para possíveis impactos no comércio marítimo global e nos mercados internacionais de energia.
O anúncio foi feito pelo porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, que afirmou que o bloqueio entra em vigor "com efeito imediato" e classificou a ação como uma resposta às operações sauditas contra áreas controladas pelos rebeldes no Iêmen. A declaração também foi publicada nas redes sociais de Saree.
Confira:
بيان القوات المسلحة اليمنية بشأن فرض حظر الملاحة البحرية على العدو السعودي. pic.twitter.com/cncr94FJ9d
— العميد يحيى سريع (@Yahya_Saree) July 20, 2026
A medida ocorre após uma nova troca de ataques entre os houthis e forças ligadas ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita, colocando em risco a trégua negociada em 2022. O episódio também acontece em um momento de crescente tensão entre Washington e Teerã, aliado político e militar dos rebeldes.
Especialistas alertam que, mesmo sem ataques imediatos a embarcações, o anúncio pode afetar o tráfego marítimo e elevar os custos do transporte de petróleo. Caso os houthis avancem com ações no Estreito de Bab el-Mandeb, principal acesso ao Mar Vermelho, e o Estreito de Ormuz permaneça sob pressão devido ao conflito com o Irã, o impacto sobre o abastecimento mundial de petróleo poderá ser significativo.
Segundo o analista Mohammed al-Basha, da consultoria Basha Report, a principal dúvida agora é se o grupo irá transformar as ameaças em ações concretas. Já o especialista Andreas Krieg, do King's College London, avalia que uma crise simultânea nos estreitos de Bab el-Mandeb e Ormuz provocaria um choque muito maior para o comércio internacional do que bloqueios isolados.
Os houthis afirmam que a decisão é uma resposta ao bloqueio imposto pela Arábia Saudita aos portos e aeroportos sob controle do grupo, além dos ataques ao aeroporto da capital iemenita, Sana'a.
Quem são os Houthis?
Os houthis são um movimento político e militar do ramo xiita do islamismo surgido no norte do Iêmen na década de 1990. Em 2014, o grupo tomou o controle da capital, Sana'a, desencadeando uma guerra civil que continua até hoje no país. Desde 2015, os rebeldes enfrentam uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente. O grupo rebelde conta com apoio do Irã, embora mantenha certa autonomia em suas decisões militares.
Nos últimos anos, os houthis passaram a realizar ataques com drones e mísseis contra embarcações comerciais e alvos militares no Mar Vermelho e no Golfo de Aden. Durante a guerra em Gaza, essas ações obrigaram diversas empresas de navegação a desviar suas rotas pelo sul da África, aumentando custos e tempo de transporte.
O conflito no Iêmen já provocou centenas de milhares de mortes e desencadeou uma das maiores crises humanitárias do mundo.
ONU alerta para risco de escalada regional
A Organização das Nações Unidas (ONU) demonstrou preocupação com o anúncio do bloqueio marítimo. O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que as ameaças contra a liberdade de navegação aumentam o risco de uma escalada regional ainda maior.
Segundo ele, a organização acompanha os desdobramentos com preocupação e defende uma desescalada imediata das tensões para evitar novos confrontos que possam comprometer a segurança da navegação internacional e ampliar a instabilidade no Oriente Médio. A advertência ocorre em um momento de alta tensão envolvendo Estados Unidos, Irã, Arábia Saudita e grupos armados aliados de Teerã, cenário que mantém o mercado internacional atento aos possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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