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'Não tentem romper o bloqueio', diz militar dos EUA no Estreito de Ormuz

Áudio divulgado pelos Estados Unidos registrou tropas militares alertando embarcações próximas ao Golfo e Omã

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Transporte de 20% do petróleo global é feito pelo Estreito de Ormuz, no Irã
Estreito de Ormuz • Google Street Views

Os Estados Unidos divulgaram, nesta quarta-feira (15), um áudio que registrou militares alertando para que embarcações interrompam "o trânsito para o Irã, caso seja o próximo porto de escalada". O aviso acontece em meio a um bloqueio imposto por Washington no Estreito de Ormuz.

No áudio, é possível escutar um militar avisando: "Não tentem romper o bloqueio", diz. "Embarcações em trânsito para ou a partir de portos iranianos serão abordadas para interdição e apreensão. Deem meia-volta e preparem-se para serem abordadas. Se não cumprirem este bloqueio, usaremos a força. Toda a Marinha dos Estados Unidos está pronta para impor o cumprimento", conclui.

O conteúdo foi divulgado pelo Comando Central dos EUA (Centcom) no início desta tarde. Confira: 

Na publicação, a autoridade norte-americana afirma que navios navais dos EUA estão em patrulha no Golfo de Omã e que o bloqueio do país em navios que entram e saem dos portos iranianos continua. "As forças dos EUA estão presentes, vigilantes e prontas para garantir o cumprimento", escreveu.

O bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz começou na segunda-feira (13) o Centcom afirmou que “nenhuma embarcação” conseguiu ultrapassar as forças norte-americanas.

A mídia do Irã divulgou que quatro embarcações viajaram para o país e saíram do território na quarta-feira (15). Dados marítimos mostram que três navios entraram em águas iranianas enquanto uma estava saindo.

EUA bloqueiam Estreito de Ormuz

Os Estados Unidos anunciaram no domingo (12) que iriam bloquear o Estreito de Ormuz às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13). Ao fechar o estreito, os EUA podem cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo e para as operações militares do Irã.

O Comando Central dos EUA confirmou o bloqueio, afirmando que "será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã", informou. .

Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer "navio de ataque" do Irã que se aproximar do bloqueio serão destruídas.

"Aviso: se algum desses navios se aproximar do nosso bloqueio, será eliminado imediatamente", escreveu Trump na própria rede social, a Truth Social. Trump completou dizendo que a Marinha iraniana foi "aniquilada".

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.

O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente

O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.

Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.