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Houthis atacam petroleiros sauditas no Mar Vermelho e ampliam tensão entre EUA e Irã

Rebeldes iemenitas afirmam ter atingido dois navios da Arábia Saudita; ação ocorre durante nova onda de bombardeios americanos contra alvos iranianos

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Estudantes universitários se reúnem para uma manifestação em apoio ao movimento Houthi, em meio à escalada das tensões com a Arábia Saudita • MOHAMMED HUWAIS / AFP

Os rebeldes houthis, do Iêmen, reivindicaram nesta quarta-feira (22) ataques contra dois navios petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho, em uma nova escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, que já se espalha por diferentes pontos do Oriente Médio. A declaração do grupo ocorreu enquanto os Estados Unidos realizavam uma nova rodada de bombardeios contra alvos militares iranianos, na 12ª noite consecutiva de ofensivas americanas contra o país.

O presidente Donald Trump também elevou o tom da ameaça ao afirmar que os EUA poderiam destruir pontes e usinas de energia no Irã caso embarcações fossem atacadas no Estreito de Ormuz. Em resposta, o governo iraniano prometeu uma "resposta contundente" a qualquer ataque contra suas estruturas.

A ampliação dos confrontos aumentou a preocupação sobre o fornecimento global de petróleo e gás. O temor ocorre devido ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e ao cerco anunciado pelos houthis contra portos sauditas. O grupo rebelde é aliado de Teerã.

O bloqueio já provoca alta nos preços do petróleo e aumenta a pressão sobre Trump para buscar uma saída diplomática para o conflito antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Em comunicado divulgado pelo Telegram, os houthis afirmaram ter realizado uma "operação militar de grande impacto" contra dois petroleiros sauditas que, segundo o grupo, teriam violado o bloqueio. As embarcações foram identificadas como Encelia e Layla.

Os rebeldes controlam o Estreito de Bab el-Mandeb, no sul do Iêmen, uma das principais rotas marítimas para navios que seguem em direção ao Canal de Suez, caminho estratégico para o comércio com a Europa. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um navio petroleiro foi atingido por um projétil no Mar Vermelho, próximo à costa da Arábia Saudita.

Trump ameaça infraestrutura iraniana

Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que qualquer ataque iraniano contra embarcações no Estreito de Ormuz provocará uma resposta direta dos Estados Unidos. "Cada vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma usina de energia", escreveu o presidente.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reagiu e afirmou que Teerã responderá caso instalações civis sejam atingidas. "Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer ataque contra o Irã, incluindo nossas infraestruturas, provocará uma resposta contundente e decisiva", declarou em publicação na rede social X.

Apesar das ameaças, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que Washington ainda busca uma solução negociada para encerrar o conflito. "Continuamos trabalhando para resolver isso por meio da negociação. Mas, neste momento, eles não parecem específicos", disse Rubio durante uma reunião de ministros do Sudeste Asiático, em Manila.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, os contatos diplomáticos entre os dois países continuam.

Custo da guerra aumenta pressão sobre Trump

Com o conflito próximo de completar cinco meses e a aproximação das eleições legislativas nos Estados Unidos, Trump enfrenta pressão para interromper as operações militares.

Críticos questionam o custo da guerra. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, estimou os gastos em US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 189,8 bilhões), enquanto o governo solicita ao Congresso mais US$ 67 bilhões (aproximadamente R$ 340 bilhões). Trump minimizou pesquisas de opinião sobre o tema e afirmou que os americanos não querem aumento no preço dos combustíveis, mas não são contrários à guerra.

Nesta quarta-feira, o presidente participou de uma cerimônia para receber os restos mortais de quatro militares americanos mortos no conflito. O episódio é considerado sensível para a opinião pública dos Estados Unidos. "Todos eles disseram, com grande verdade, que não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. Portanto, vamos honrá-los", afirmou Trump.

Possível novo alvo militar

O presidente americano já havia indicado que uma próxima ofensiva poderia atingir uma estrutura próxima a Natanz, chamada Kuhe Kolang-e Gaz La. Agências de inteligência ocidentais suspeitam que o local seja usado para uma instalação não declarada de enriquecimento de urânio.

O comando militar iraniano Khatam al Anbiya afirmou que um ataque ao local seria considerado uma ampliação da guerra. O governo iraniano negou qualquer atividade nuclear na área e classificou as acusações como justificativa para ações militares.

Enquanto isso, países da região registraram novos episódios de tensão. O Kuwait informou que seus sistemas de defesa aérea interceptaram drones vindos do Irã. A Jordânia afirmou ter derrubado quatro mísseis e quatro drones iranianos.

No Bahrein, sirenes de alerta foram acionadas, e um correspondente da agência AFP relatou uma explosão em Manama. O Exército iraniano afirmou ainda ter realizado ataques contra alvos americanos no Kuwait e no Bahrein, incluindo sistemas de defesa aérea, instalações de radar e prédios administrativos.

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