Irã intensifica ataques no Estreito de Ormuz e ameaça o abastecimento global de petróleo

Seis navios atingidos em dois dias e possíveis minas no canal aumentam tensão no Golfo Pérsico; EUA avaliam escolta de navios comerciais

Esta foto divulgada pela Marinha Real Tailandesa, tirada em 11 de março de 2026, mostra fumaça saindo do navio cargueiro tailandês ‘Mayuree Naree’ próximo ao Estreito de Ormuz após um ataque

O Irã vem usando sua posição estratégica no Estreito de Ormuz para exercer poder desproporcional em relação à sua capacidade militar limitada. Nesta quinta-feira (12), forças iranianas intensificaram ataques contra instalações petrolíferas e petroleiros, enquanto países do Golfo interceptaram drones e mísseis lançados pela República Islâmica.

O estreito é uma rota crucial, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente. Ao atacar embarcações que navegam pelo canal, o Irã ameaça interromper o fluxo global de energia, mesmo enfrentando capacidades militares inferiores às dos Estados Unidos e de Israel.

Segundo a agência marítima do Reino Unido, seis navios foram atingidos no Golfo Pérsico entre quarta e quinta-feira. Autoridades afirmam que o Irã também teria minado o estreito, criando um obstáculo adicional e elevando o risco para a navegação.

O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, reafirmou em pronunciamento televisivo que o estreito continuará fechado como “ferramenta de pressão”.

Atividade iraniana e guerra assimétrica

Fontes de inteligência dos EUA indicam que o Irã começou a instalar minas marítimas no estreito. Embora a implantação não seja extensa, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ainda mantém entre 80% e 90% de seus pequenos barcos e lançadores de minas, destacando a dependência de Teerã de táticas assimétricas.

A IRGC combina minas, barcos suicidas carregados de explosivos e baterias de mísseis em terra, formando um que especialistas chamam de “Vale da Morte” no estreito. Apesar de ataques aéreos dos EUA e Israel nos últimos 12 dias, a frota de pequenas embarcações da guarda permanece em grande parte intacta.

Recentes ataques resultaram em pelo menos um morto e três desaparecidos em um navio graneleiro de bandeira tailandesa. Dois petroleiros estrangeiros pegaram fogo em águas próximas ao Iraque, com o Irã atribuindo os incidentes a drones subaquáticos.

Resposta dos Estados Unidos

Os EUA enfrentam o desafio de garantir a segurança do Estreito de Ormuz. O Comando Central americano destruiu vários navios iranianos, incluindo 16 lançadores de minas, mas não confirmou a remoção das minas instaladas.

Especialistas alertam que restaurar a segurança completa do estreito pode levar meses, mesmo com escoltas militares. O secretário de Energia, Chris Wright, disse que a Marinha americana ainda não está pronta para escoltar navios comerciais de forma contínua.

Impactos econômicos globais

A interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz ameaça o abastecimento global de energia. Cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de produtos petrolíferos permanecem retidos no Golfo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

Rotas alternativas por oleodutos existem, mas são insuficientes para suprir a demanda mundial. A maior exportadora global, Saudi Aramco, alertou para “consequências potencialmente catastróficas” caso a passagem não seja restabelecida.

Na Ásia, países importadores de petróleo já adotam medidas emergenciais: escolas foram fechadas no Paquistão, a Coreia do Sul impôs um teto de preço para combustíveis, e a Tailândia determinou trabalho remoto para funcionários públicos.

Contexto histórico

Não é a primeira vez que o Estreito de Ormuz se torna palco de conflito. Durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, ambos os países atacaram petroleiros e instalaram minas no estreito, chegando a atingir o navio de guerra americano USS Samuel B. Roberts. O incidente resultou em retaliação de Washington, que reduziu significativamente a capacidade iraniana no Golfo.

* Com informações de CNN Brasil

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