Itatiaia

Estados Unidos: ICE planeja gastar 20 milhões de dólares para comprar luvas de choque

Equipamento é capaz de emitir uma tensão máxima de até 380 volts, segundo fabricante; está previsto para que a polícia migratória estadunidense receba os equipamentos até 31 de março de 2027

Por
ICE planeja usar luvas que dão descarga elétricas • Reprodução/Compliant Technologies

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) planeja gastar até US$20 milhões (mais de R$100 milhões) para comprar luvas capazes de dar choques elétricos. O contrato de compra foi publicado no portal do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Está previsto para que a polícia migratória estadunidense receba os equipamentos até 31 de março de 2027. Não foi especificado quantas unidades o DHS pretende adquirir, o custo por luva e quando os oficiais começariam a utilizá-las.

Os dispositivos são conhecidos como CTG 5 G.L.O.V.E, sigla para "Generated Low Output Voltage Emitter" (Emissor de Baixa Tensão Gerada, em português). Segundo a fabricante, as luvas têm como objetivo desescalar confrontos com indivíduos.

No site, a empresa afirma que as luvas têm como objetivo "complementar as ferramentas existentes para aplicação da lei, correções, segurança, serviços médicos de emergência e militares", e as descreve como um "parceiro invisível" para aumentar a eficácia do usuário ao operar dentro das táticas, técnicas e procedimentos já estabelecidos por suas agências".

Como as luvas de chuva funcionam?

A Compliant Technologies comercializa o G.L.O.V.E como um "dispositivo de desescalada vestível" que pode ser ativado no modo elétrico.

Um manual do usuário dos modelos CTG4 e 5, disponível no site da fabricante, indica que as luvas podem emitir uma tensão máxima de até 380 volts que "inibe/distrai o indivíduo de realizar movimentos musculares coordenados".

Ainda segundo o documento, não é indicado que mais de do que duas luvas sejam aplicadas em um indivíduo ao mesmo tempo. O dispositivo deve ser usada por mais de 15 segundos, em contato direto com a pele, em muitos casos.

Em caso de algum incidente em que "os policiais ou o público esteja em perigo" é sugerido que as luvas sejam usadas conforme necessário até que "controle e conformidade" sejam obtidos, ou que se utilize um nível mais elevado de força.

Mortes por agentes do ICE em 2026

Multidão se reuniu Minesotta para protestar contra atuação do ICE • Kerem Yucel / AFP
Multidão se reuniu Minesotta para protestar contra atuação do ICE • Kerem Yucel / AFP

A política antimigração de Donald Trump representa uma das pautas mais centrais do projeto político republicano. A discussão sobre violência associada ao ICE envolve denúncias organizadas por ONGs de direitos humanos, relatos de imigrantes detidos e a contestação dessas acusações pelo próprio governo e defensores da agência.

Quem são algumas das pessoas mortas por agentes do ICE em 2026: 

  • Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
  • Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
  • Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele havia autorização para trabalhar nos EUA.
  • Lorenzo Salgado Araújo, um mexicano de 52 anos, que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega do país.

Além disso, um levantamento da agência Reuters apontou que 50 pessoas morreram em instalações do ICE desde o início do segundo mandato de Donald Trump.

Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

Belo Horizonte