Itatiaia

Ataques de Milei a Lula têm desaprovação de 70% dos argentinos, indica pesquisa

Presidente da Argentina fez diversas ofensas contra o brasileiro e crise resultou no rebaixamento das relações diplomáticas entre os dois países por parte do Itamaraty

Por
O presidente Lula (esq.) e o presidente da Argentina, Javier Milei (dir.)
O presidente Lula (esq.) e o presidente da Argentina, Javier Milei (dir.) • Ricardo Stuckert/PR

Pelo menos 70% dos argentinos desaprovam o comportamento do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva. O número foi divulgado em um levantamento da consultoria argentina Zuban Córdoba. No início do mês de agosto, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que o impediu de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, de "lixo careca", e Lula de "presidiário".

A declaração aconteceu enquanto o argentino participava da convenção do Partido Liberal em São Paulo, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, em 25 de julho. No dia seguinte, Milei fez novos ataques ao presidente brasileiro. As falas fizeram o Itamaraty convocar o embaixador em Buenos Aires e rebaixar as relações diplomáticas com o país.

Veja, abaixo, o resultado da pesquisa Zuban Córdoba:

  • 70,5% dos entrevistados afirmaram desaprovar a conduta do presidente argentino;
  • Outros 20% disseram aprovar as ofensas;
  • 9,5% não souberam responder.

O levantamento ainda questionou sobre a importância do Brasil e da economia brasileira para a economia argentina:

  • 88,9% dos entrevistaram responderam achar "importante" essa relação;
  • 10,5% apontaram acreditar que isso é "desimportante";
  • 0,6% disseram não saber responder.

A pesquisa ouviu 1.200 pessoas maiores de 16 anos na Argentina, entre os dias 8 e 10 de agosto deste ano, de forma on-line. A margem de erro da pesquisa é de 2,83% para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Tensão entre Brasília e Buenos Aires

A tensão entre Brasília e Buenos Aires se agravou nas últimas semanas, marcadas por trocas de farpas entre Milei e Lula, além de integrantes dos dois governos. As embaixadas de ambos os países operam sem chefes de missão plenos.

Confia, abaixo, os principais acontecimentos da escalada de tensão:

  • Em 25 de julho, Javier Milei chamou Lula de "presidiário" durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na ocasião, o argentino também disse que o primeiro-ministro do STF, Alexandre de Moraes, era um "lixo careca".
  • No dia seguinte, o presidente argentino, em uma entrevista a uma rádio argentina, acusou o Brasil de liderar "uma campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo. Milei ainda disse que Lula enviou marqueteiros ao país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 e apoiar a oposição.
  • Em 2 de agosto, durante uma entrevista à emissora argentina LN+, Milei afirmou que Lula é "ladrão", "corrupto" e "não é inocente". Também voltou a questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista na Lava Jato.
  • Em 4 de agosto, o governo brasileiro decidiu rebaixar a relação diplomática com a Argentina e não enviar o embaixador Julio Glinternick Bitelli de volta a Buenos Aires. O embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, deixa o país neste domingo (9).
  • Em 8 de agosto, Javier Milei republicou, nas redes sociais, uma postagem com duras críticas ao presidente Lula — com um texto do deputado republicano dos Estados Unidos Carlos Gimenez, que afirmou no Congresso norte-americano que "denunciamos o corrupto e criminoso Lula da Silva, que destruiu o Brasil".
Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

Belo Horizonte