Brasil rebaixa relação com Argentina após ataques do presidente Javier Milei
Decisão foi tomada após os repetidos insultos do mandatário argentino contra autoridades brasileiras, incluindo o presidente da República Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes

O governo brasileiro decidiu, nesta terça-feira (4), rebaixar a relação diplomática com a Argentina e não enviar o embaixador Julio Glinternick Bitelli de volta a Buenos Aires. A medida foi tomada após os repetidos insultos do presidente argentino Javier Milei contra autoridades do Brasil. As informações são da colunista Luciana Taddeo, da CNN Brasil.
A jornalista apurou que a decisão foi comunicada ao embaixador argentino em Brasília, no Distrito Federal, Daniel Raimondi, que recebeu uma nota de protesto. Os insultos do presidente argentino foram repetidos em três novas oportunidades desde que o embaixador brasileiro foi convocado para prestar esclarecimentos, no dia 26 de julho.
Segundo fontes diplomáticas, as falas de Milei demonstram que não há nenhuma disposição de restaurar uma relação correta com o governo brasileiro.
O governo brasileiro comunicou ao representante argentino que a relação entre os países foi rebaixada para o nível de encarregados de negócios. O embaixador brasileiro não retornará a Buenos Aires, na Argentina, enquanto os insultos de Milei continuarem.
Bitelli foi chamado para consultas um dia após Milei participar da Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, e chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "presidiário" e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo careca".
Desde então, Milei repetiu e defendeu as ofensas em entrevistas a canais argentinos, enquanto o chanceler Pablo Quirno afirmou não haver intenção de uma ruptura com o Brasil.
Com a medida do Itamaraty, a embaixada brasileira na Argentina ficará sob a responsabilidade do ministro-conselheiro Eduardo Uziel. Segundo fontes brasileiras, agora a Argentina deverá tomar a decisão do que fazer com o representante em Brasília.
A CNN Brasil entrou em contato com a Chancelaria argentina a respeito da medida e aguarda resposta.
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